Voto auditável: defesa histórica do PDT é usada para atacar Ciro


Por Allain Fonseca

O ano é 1982, primeira eleição direta para governador após a ditadura militar.

O engenheiro Leonel Brizola, um dos principais nomes da resistência ao regime, escolhe o Rio de Janeiro para recomeçar sua trajetória política pós exílio. Candidata-se a governador pelo partido democrático trabalhista (PDT), partido criado por Brizola após perder a batalha jurídica para utilização da sigla PTB.

As eleições são acirradas. O PTB, desvirtuado de seu papel histórico lança a candidatura de Sandra Cavalcanti, política de origem lacerdista. O PT vem com Lysaneas Maciel, liderança religiosa protestante tradicional progressista. O PMDB, oposição ao governo federal mas que era situação no RJ, vem com Miro Teixeira. Os militares apoiam a candidatura de Wellington Moreira Franco. As pesquisas mostram um quadro instável, sendo difícil prever quem seria o vencedor.

Houve uma tentativa de fraude a favor de Moreira Franco, que com apoio dos militares e indícios de participação da Rede Globo tentaram reverter os votos nulos para o candidato oficial, no que ficou conhecido como Caso Proconsult.

TENTATIVA DE MANIPULAÇÃO DE UMA DEFESA HISTÓRICA

Desde então, a bandeira do voto auditável, um mecanismo que permitisse assegurar que a totalização das urnas correspondem fielmente a soma de cada voto, tem sido empunhada pelo PDT.

Recentemente parte da mídia tem procurado correlacionar a posição do partido, e especialmente o nome de Ciro Gomes, à proposta de bolsonaro (com minúsculas mesmo), naquilo que podemos considerar um exercício de mau-caratismo intelectual. O que está sendo defendido por Ciro, Lupi e a cúpula do partido é mais um aperfeiçoamento do sistema atual, e não um retorno ao passado como querem parecer supor.

RISCA NO CHÃO

Óbvio que não defendemos a volta da caneta e papel em pleno século XXI, tampouco mecanismos que possam atentar contra a inviolabilidade do voto, que é e continuará sendo secreto. Em última instância as intenções de Ciro e bolsonaro não guardam nenhuma semelhança.

O que bolsonaro pretende tem duas intenções. A primeira é permitir o monitoramento dos votos a partir da criação de currais eleitorais controlados por coronéis no campo e milicianos nas cidades. A outra é, a exemplo de Trump nos Estados Unidos, arranjar desde já um pretexto para tumultuar o processo eleitoral de 2022, haja vista que dificilmente será reeleito.

Por fim, outra lição que esse fato nos fornece é que, à semelhança do bolsonarismo, existe de fato um gabinete do ódio a serviço do lulopetismo, pronto para disseminar fake news e destruir reputações. Essa máquina se volta contra a candidatura de Ciro e intensificará seus ataques em função da existência de uma alternativa consistente que se contrapõe às pretensões de Lula e seus velhos aliados.

+ Não há comentários

Adicione o seu