União de Esquerda: um exemplo e uma reflexão


Por Fernando de Souza Martins

A esquerda, tanto enquanto classe social – no sentido original e francês do termo – quanto ideário cultural e acadêmico e classe política, atravessa um momento importante, tendo em vista que já deixou passar oportunidades importantes para reconquistar o seu lugar nos ambientes de poder que determinam o destino de nosso país. Se vê agora, mais uma vez, vacilando nessa luta, impedida de se empoderar e focar no inimigo, devido a uma série de problemáticas, impostas pelo sistema de representação política do povo, naturais da democracia liberal representativa. É para ilustrar, e com esperança, esclarecer esses problemas que apresento o exemplo seguinte:

No dia três de maio desse ano, a Globonews promoveu dois debates. Ciro Gomes debateu com Amoedo; Haddad debateu com um defensor automático de Bolsonaro do PSL. Enquanto Ciro pôde, através do debate, disputar no campo de ideias a importância e viabilidade da agenda de interesses reais da maioria do povo, num projeto nacional de desenvolvimento, guiado pela parceria entre Estado, Setor Privado, Instituições de Ensino, Pesquisa e Inovação e demais atores que possam contribuir com trabalho e ideias para que transformemos o Brasil de poucos no Brasil para todos, Haddad, um político e gestor com ampla experiência, conquista e potencial para contribuir com a retomada de um Brasil melhor, ficou limitado num debate de apologias e acusações sobre o passado do seu partido.

Esse episódio ilustra os dois caminhos que o povo, a verdadeira Esquerda, precisa escolher, em mais um enclave histórico do caminho político da Esquerda na afirmação desse país chamado Brasil, enquanto nação soberana, dona de si. Para viabilizar uma união de esquerda, o povo precisa decidir se terá Ciro debatendo a agenda real ou Haddad explicando o passado. Isso implica impor a todos os atores políticos, e seus apoiadores no meio do povo, que se materializem no campo político como atores de construção de um futuro, consciente de erros e acertos do passado, ou esses eternos limítrofes, ressentidos pelas injustiças, detentores de tantas respostas para o futuro, mas incapazes de muda-lo.

Assim, quero que esse texto se traduza como um apelo e chamada para ação política: que a verdadeira Esquerda, o povo!, tome para si o poder de apontar um líder com capacidade de criar uma união que represente a possibilidade de conquistarmos o futuro, ao invés de esperar que essa união de esquerda seja mais uma ação de gabinetes políticos fazendo uniões escusas, que trarão consigo a sombra de um passado que precisa, além de receber nossa gratidão, ser superado, para que não se torne historicamente uma dívida que nos impediu de progredir.

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