Do @VemPraMassa à Turma Boa: relatos de militância


Por Mabel Teixeira

Era 11 de fevereiro de 2018. Estávamos a 238 dias das eleições. Minha incursão dominical ao Twitter me colocava diante de nosso assustador cenário eleitoral. Bolsonaro aparecia em 2º lugar nas pesquisas de intenção de votos. Eu, ciente de sua trajetória, começava a me desesperar. O PT, por sua vez, impunha o inelegível Lula como pré-candidato. Do lado de lá e de cá prevalecia a total insanidade. A tragédia estava anunciada e eu, indignada. “Estão colocando o país para dançar à beira do abismo”, dizia o único candidato a encarnar meu estado de espírito completamente avesso à resignação.

Ciro Ferreira Gomes (PDT) tinha, à época, menos de 5% das intenções de voto, estava distante do segundo colocado, então com 12%. Entre os berros que ecoavam das militâncias idólatras, surgiam, aqui e ali, links acompanhados de um único apelo: Escute Ciro Gomes. Escute. Sim, alguns conseguiram ouvir em meio à gritaria, mas apenas alguns. Entre eles, eu. Entre nós, a confiança em uma mensagem: o Brasil não aguenta mais personalismos, precisamos de um Projeto, de um Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND). E lá estava Ciro Gomes correndo o Brasil para dar voz à esperança. Uma esperança amparada em diagnósticos, metas, prazos, caminhos. Ele não propunha falar de si, buscava discutir o Brasil com um Brasil atônito, aturdido, mergulhado em ódio crescente, inerte.

Naquele domingo me distraí enquanto preparava as aulas de webjornalismo e acompanhava as notícias, há muito ruído, pensei. Se organizássemos a comunicação talvez a mensagem chegasse em mais gente. Poderíamos dar rostos aos ouvintes. Poderíamos transformá-los em amplificadores. Tendo estudado mídias sociais ao longo de toda minha trajetória acadêmica, estava certa de que seria possível, bastava fazer. Fiz. Naquele domingo de 2018, criei o perfil @VemPraMassa no Twitter. O objetivo era popularizar as propostas do PND e, ao mesmo tempo, atrair novos ouvintes, novas vozes ou simplesmente encontrá-las. Assim como eu, muitos fizeram.

Aconteceu. Em pouco tempo tínhamos uma rede em múltiplas plataformas, Ciro compunha sua militância, o PND ganhava espaço e nós, amigos. Foram dias, meses. Éramos, enfim, uma massa. Anônimos unidos por uma ideia de nação. Fomos às ruas. Ganhamos rostos e nomes, organizamos encontros, produzimos muito conteúdo, compartilhamos histórias. A massa foi virando uma turma, a Turma Boa. Alguns, como eu, entraram para o PDT. Outros, mesmo dispensando a filiação, cerraram fileira em defesa da educação de qualidade, do desenvolvimento nacional e da justiça social.

Não chegamos onde queríamos com o pleito do dia 7 de outubro, mas conquistamos mais do que todas as demais candidaturas. Poderíamos parafrasear Darcy Ribeiro e dizer que nosso fracasso foi nossa vitória, pois detestaríamos estar no lugar de quem nos venceu. Nossa turma é, hoje, reconhecida como a mais coerente, orgânica e propositiva militância do país. Seguimos construindo em meio aos destroços de um Brasil rachado, abandonado à própria sorte durante uma pandemia por aqueles que, há muito, se colocam como salvadores da pátria.

Se o abismo no qual nos encontramos é maior do que imaginávamos em 2018, maior também é nossa disposição para lutar pelo Brasil que sonhamos. Conscientes de que “a vida é uma ponte interminável. Vai-se construindo e destruindo. O que vai ficando para trás com o passado é a morte. O que está vivo vai adiante” (Darcy Ribeiro), lutamos, hoje, pela vida, pela esperança e pela democracia. Quem representa a morte, passará. Nós, seguiremos. Estamos, sim, mais fortalecidos, conscientes da importância de nossa luta diária e resistentes à resignação promovida por aqueles que se alimentam de escombros. O poder de resiliência e a mobilização constante que caracterizam a massa cirista me levam a reafirmar, agora, o que Ciro já dizia em 2018: o Brasil vai dar certo.

Sabemos, todos, que a Turma Boa não vai parar até fazer acontecer.

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