Afinal de contas, o que quer Tabata Amaral?


Nos últimos dias, em entrevistas a Mario Sergio Conti e ao Poder 360, a deputada Tabata Amaral, eleita pelo PDT de São Paulo, atacou o partido, seus dirigentes, em especial Ciro Gomes e a militância. Atualmente, a deputada está submetida ao Conselho de Ética do partido por ter votado a favor da perversa reforma da previdência do governo Bolsonaro, contrariando o fechamento de questão deliberado em convenção partidária com mais de 500 presentes, inclusive a própria deputada (veja o vídeo ao final).

Entretanto, Tabata Amaral não parece querer apaziguar sua situação com os correligionários, ao Poder 360, por exemplo, mentiu que Ciro havia “inventado um monte de coisa” sobre ela e ainda o acusa de falsear sua opinião sobre a reforma da previdência, que, segundo a deputada, seria a mesma que a dela. Nos corredores da Câmara, disse a um eleitor que “sairia do PDT com muito gosto” e poderia sim ir para o NOVO. O voto de Tabata, que foi uma decepção geral para seus apoiadores e eleitores que, mobilizaram uma imensa rede de apoio a sua eleição em 2018 não parece incomoda-la, desde que esteja “seguindo o coração”, como costuma dizer. Cientista política de formação, Tabata parece ignorar que seu cargo é representativo e que ela foi eleita, e não ungida ou agraciada com uma medalha. Não há nenhuma meritocracia em ser eleito para qualquer cargo que seja e, se ela entende que não deve qualquer lealdade individual a ninguém em especial, deve sim aos mais de 260 mil paulistas que acreditaram nos valores trabalhistas e populares que ela dizia representar.

Tabata não foi expulsa, o processo dela e dos outros 7 deputados pedetistas que votaram a favor da reforma da previdência ainda está em andamento. E, sendo o primeiro desentendimento partidário da jovem deputada, não necessariamente a decisão está selada; a notoriedade que o voto dela tomou não é razão objetiva para uma expulsão. Sabendo disso, as agressões da deputada contra o partido, que se avolumaram nos últimos dias, nos parece encontrar uma motivação: forçar o partido a expulsa-la para que possa levar o mandato com ela. Mandato que ela dificilmente teria sem o coeficiente partidário e o apoio incondicional que teve da militância durante o processo eleitoral. Pelo visto, a “nova política”, a “política do coração”, das “convicções sinceras” parece, tanto quanto a antiga, bastante apegada a cargos.

Veja a decisão unânime na Convenção Nacional do PDT:

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