Sonhos de nação: dois projetos, dois destinos


Texto de: Caio Barros

O Novo Projeto é Nacional e de Desenvolvimento, defendido por Ciro Gomes.

É projeto porque existe uma missão. Existe uma estratégia desdobrada em objetivos e desafios a serem enfrentados no presente para se atingir um resultado no futuro. A missão é democratizar o mercado e a política. O projeto é nacional porque os setores estratégicos em que o Brasil tem vantagem comparativa devem ser incentivados por políticas tarifárias e cambiais. Assim, gerarão mais empregos de qualidade e investirão mais em inovação. Por fim, a palavra desenvolvimento traz ao projeto a crítica à posição que o Brasil ocupa na divisão internacional do trabalho e pressupõe a vontade política de se superar a situação das desigualdades externas e internas.

Do outro lado, não há projeto nacional. Há programas de curto prazo. Todos adotaram a máxima do Estado mínimo e da competitividade, principais valores do neoliberalismo. Querem o estado mínimo para pagarem imposto mínimo. Saúde e educação pública mínima. Aqui está o segredo do sucesso dos meritocráticos. A reprodução dos privilégios sociais da elite depende da inexistência da igualdade de oportunidades. Já em nome da competitividade, buscam sonegar direitos aos trabalhadores. Se a mão de obra desqualificada é uma “vantagem” do Brasil, os preços dos produtos brasileiros seriam mais competitivos se houvesse uma “eficiente” exploração do trabalho. Direitos são custos. Assim, a mão invisível do capital vai alocando o mercado brasileiro de maneira muito eficiente: exportação de produtos primários, exploração de mão de obra incapacitada e fuga da produção para o rentismo. Com o projeto neoliberal, o destino do país será a colonização e o atraso.

Temos dezenas de candidatos, mas apenas dois projetos. O projeto nacional busca democratizar o mercado porque acredita que o Estado deve equipar os cidadãos com educação e crédito para que possam empreender. O projeto nacional busca democratizar a política porque almeja uma democracia de alta intensidade, com ativa participação das minorias, em que toda a sociedade possa influenciar os rumos das decisões coletivas. O projeto nacional acredita na mudança. O Brasil tem grandeza para superar a condição de nação colonizada e atrasada. Essa superação só pode se dar se o povo rejeitar a colonização e o atraso. Nessas eleições, rejeitar o projeto neoliberal colonizado será o primeiro passo para o povo brasileiro por em ação o plano de inaugurar uma nova civilização. E, como diz Lenine, “sejam belos, livres, luminosos os nossos sonhos de nação”.

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