Soberania nacional em queda livre


Por João Francisco Marum

Quando o Brasil era colônia de Portugal, os portugueses levavam de nosso território pau-brasil e ouro. Em solo europeu, transformavam a matéria prima em móveis, objetos de decoração, jóias e comercializavam esses produtos. Mas a nossa espoliação econômica não se restringe só aos primeiros séculos da nossa história.

O professor Roberto Mangabeira Unger escreve sobre o colonialismo mental, que ele define como o regime colonial dos tempos atuais por conta do desenho de sua macroeconomia doméstica, de sua política econômica e do modelo de atuação no comércio exterior. O Brasil hoje vende para o estrangeiro: soja, boi, frango, petróleo cru, minério de ferro em natura – ou seja, produtos primários. Em países como EUA essas matérias primas são processadas. O petróleo vira óleo diesel, gasolina, querosene de aviação; o minério de ferro é usado para a produção de aço, que é o metal mais utilizado no mundo, usado para a fabricação de todos os tipos de máquinas.

Por sua vez, o professor Nildo Ouriques coloca que não é raro um pesquisador brasileiro descobrir uma propriedade cosmética ou medicinal, de uma planta da Amazônia ou do Cerrado, ter sua pesquisa levada para fora do Brasil e a patente da descoberta feita por uma empresa de fora. Resultado, as pessoas vão na farmácia e compram um produto “importado”, pagam em dólar, inclusive o pesquisador que fez a descoberta.

Enquanto o Brasil não tiver um política industrial nacional, continuaremos vivendo uma espécie de sistema colonial em que, via de consequência, acabamos por abrir mão da nossa soberania nacional. Compramos do exterior informática embarcada, química fina de remédios, insumos hospitalares de todos os tipos, bens de capitais, todo tipo de eletroeletrônica. E pagamos os custos dessas importações com os recursos que obtemos vendendo boi, soja, feijão, milho… Essa conta não pode fechar.

E o desfile do Bolsonaro com a bandeira americana é a comemoração do fato de vivermos sob um regime neocolonial. É a celebração da subordinação, ignorância, da falta de soberania nacional e compromisso com o Brasil – inclusive economicamente.

O Brasil pode virar esse jogo, precisa virar esse jogo! A celebração de um grande projeto nacional de desenvolvimento é urgente. Devemos investir pesado em educação pública de qualidade, reestruturando escolas, atualizando os currículos, capacitando nossos professores, aproximando os pais e a comunidade do processo educativo. Diversas medidas para qualificarmos a mão de obra brasileira e formarmos cidadãos mais conscientes e capazes em todos os sentidos. Devemos estruturar medidas de incentivo de formação bruta de capital doméstico para que uma generosa poupança nacional seja formada. Medida que garanta recursos para financiamento de obras de infraestrutura, de desenvolvimento de tecnologias e outras atividades que tornem a atividade industrial mais viável no Brasil, dentre várias outras medidas que podem ser planejadas e discutidas. O fato é que precisamos, de uma vez por todas, de ações verdadeiramente patrióticas.

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