Sociólogo Ruy Braga propõe a renúncia de Fernando Haddad em favor de Ciro Gomes


O sociológo Ruy Braga propôs, nesta segunda-feira (15), que Fernando Haddad renunciasse à sua candidatura, para abrir passagem à candidatura de Ciro Gomes, em razão do forte clima de antipetismo que deu propulsão à candidatura de Bolsonaro.

Braga é doutor em Ciências Sociais pela Unicamp, professor livre-docente de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo, com pesquisas de pós-doutorado na Universidade de Berkeley. Filiado ao PSOL, é considerado um pensador respeitado e influente na esquerda brasileira. Autor, dentre outros livros, de “A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista” e “A rebeldia do precariado”.

A manifestação favorável de Ruy Braga ocorre logo após o filósofo Marcos Nobre, professor livre-docente da Unicamp, também defender, nesta segunda-feira, a renúncia de Fernando Haddad.

Reproduzimos abaixo a publicação de Ruy Braga:

PRECISAMOS DE UMA GERINGONÇA PRA SALVAR A DEMOCRACIA BRASILEIRA

[email protected] Sei que serei muito criticado, especialmente, por meus amigos da esquerda, sobretudo, os companheiros petistas. Mas, diante da última pesquisa do IBOPE e das dificuldades de Fernando Haddad em construir uma frente democrática, não posso deixar de registrar esta breve reflexão. A taxa de rejeição de Haddad é algo surreal e, aos meus olhos, elimina qualquer possibilidade de uma virada até o dia 28 de outubro. Vou continuar fazendo campanha, etc. Mas, sei qual será o resultado. O anti-petismo é o produto mais óbvio de uma guinada de parte importante da sociedade pra extrema-direita. Não dá pra entrar em detalhes interpretativos. Vamos falar muito sobre isso no futuro. Mas, o fato é que chegou a hora de abrirmos nossas cabeças para alternativas políticas imediatas que nos ofereçam alguma esperança de não entregarmos o país pra brutalidade que nos aguarda logo ali na esquina. A mais óbvia seria a renúncia da chapa Haddad-Manuela e a convocação do terceiro colocado, Ciro Gomes. Não há garantia alguma que Ciro derrotaria Bolsonaro. No entanto, isso criaria o fato novo que, talvez, tirasse as pessoas desse verdadeiro transe catatônico que impera no país. Isso é passageiro? Não sei. Imagino que sim. Mas, a verdade é que um governo Bolsonaro não será passageiro. Talvez, dure um ciclo político inteiro. Quem sabe o que nos aguarda? Além disso, Ciro fez campanha, é um político bastante conhecido nacionalmente, teve uma votação expressiva e tem sua base política no Nordeste. Conquistaria os votos de Haddad no bastião lulista com certa facilidade. E libertaria o debate político da antinomia “petismo-anti-petismo” (a única característica que unifica o bloco bolsonarista) imposto pelos métodos sórdidos de Bolsonaro apoiado pela grande mídia, permitindo que transformemos o segundo turno em uma espécie de plebiscito nacional: DEMOCRACIA OU DITADURA? O gesto de renúncia de Haddad-Manuela não seria visto como uma “fraqueza” pela esquerda brasileira e mundial, mas, sim, como um gesto de imensa generosidade, desprendimento e grandeza daqueles que desejam como ninguém salvar nossa democracia. Daí, dirão: mas, o antipetismo seria transferido para Ciro. Em relação a isso, minha sugestão seria a criação de uma verdadeira “geringonça”: um governo Ciro sem ministros do PT-PCdoB e PSOL, mas, com apoio parlamentar crítico desses partidos. Enfim… Sei que serei muito criticado, mas, como disse, não poderia me furtar de adiantar essas reflexões-sugestões…

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