Um relato na jornada “Todos com Ciro” – Experiência na mobilização!


Texto de: Walter Augusto

A mobilização criada em torno de Ciro Gomes gerou um caminho sem volta. Ainda que alguns se afastem da “massa”, a mobilização está formada e continuará ativa em vários lugares. O destino nos impele a viabilizar um caminho democrático de esquerda no Brasil e parece-me que tudo se apresenta como uma questão ética: mobilizar não é mais uma mera opção, e sim a responsabilidade por um desejo.

A plataforma Todos com Ciro teve sua parte nessa vitoriosa mobilização. Conseguimos reunir pessoas e criar uma base social de apoio a Ciro Gomes, para além dos esforços do próprio Ciro e do PDT. O resultado da eleição não nos retira o êxito político, apenas nos abre a oportunidade de autocrítica e de reafirmação.

De minha parte, me juntei mais ativamente à “TCC” só recentemente, nos últimos dois meses. E é essa experiência que quero brevemente relatar e propor algumas diretrizes.

Horizontalidade

A plataforma demonstrou ser uma alternativa de mobilização ao modelo partidário. Ela, por si só, não substitui o partido político, mas provou que é possível reunir pessoas pela confiança e pelo consenso de algumas premissas. Essa foi uma das características que fez me aproximar. Como muitos mobilizadores, tenho afinidade de posições com mais de um partido de esquerda, e apesar disso, quis me envolver de perto nas eleições, apoiando Ciro.

Essa horizontalidade da plataforma certamente é algo que deve ser mantido. Durante minha experiência, não encontrei “chefes”. O que havia eram pessoas que naturalmente se envolviam mais ou menos e com isso tinham um maior ou menor protagonismo. Nunca me pareceu, no entanto, que era vedado a alguém se envolver mais ou menos. E é isso que, para mim, define a horizontalidade da plataforma. Certamente esse é um valor que deve ser mantido.

Um a um, corpo a corpo

Outro ponto que despertou a minha atenção foi o trabalho um a um, corpo a corpo. Desde o lançamento em 2017 até os últimos dias da campanha, os mobilizadores de todo Brasil se empenharam em fazer com que encontros virtuais ocorressem presencialmente.

Nesses encontros, em geral, as pessoas se reuniam para se apresentar, dizer porque estavam com Ciro e o que esperavam da mobilização. E mesmo quando estávamos a poucos dias do primeiro turno, sempre havia momentos de interação e de reforço do algo em comum.

Tive a grata oportunidade de participar pessoalmente da mobilização na região metropolitana de São Paulo, e também pude entrar em contato direto com mobilizadores de Cuiabá (MT), Rio das Ostras (RJ), Macaé (RJ), Campos dos Goytacazes (RJ), Duque de Caxias (RJ), Niterói (RJ) e Foz do Iguaçu (PR). E assim como eu, muitos outros colegas voluntários também ligaram para várias cidades em vários estados.

Em todos esses lugares, conversamos individualmente, incentivamos os encontros presenciais e, talvez o mais importante, sentimos que não estávamos sozinhos. Por mais que a internet e os aplicativos tenham alterado o padrão dessas eleições, nossa mobilização nos deixou claro que a discussão falada, o olho no olho, o abraço, são insubstituíveis. Não tenho dúvidas de que esses encontros continuarão sendo um alicerce fundamental da plataforma.

Narrativa

Durante a jornada, é possível que nós não estivéssemos plenamente de acordo acerca do como seria um Projeto Nacional de Desenvolvimento. Ainda assim, um ponto era consenso: o nome de Ciro Gomes. Na minha visão, foi esse consenso fundamental que permitiu coesão ao grupo, evitando que cada encontro se tornasse uma roda de discussão interminável.

Olhando meu relato, vejo que esse ponto indiscutido nos fez avançar muito na discussão. Isso porque embora Ciro seja o nome de consenso, o chamado da plataforma sempre foi por um trabalho de politização. Em diferença às compreensões “anti-petista” (dominada por Bolsonaro) e “anti-Bolsonaro” (dominada pelo PT), a mobilização cirista mostrou disposição em debater pautas propositivas. Não nos misturamos com o campo reativo e tampouco nos identificamos à posição de vítimas. A nossa narrativa foi e é movida pela esperança. Sou suspeito para falar, mas creio que juntos, eleitores e mobilizadores do Ciro, despertamos novamente uma beleza no engajamento político.

Assim, parece-me mais que legítimo a consolidação de uma “memória pré-eleições 2018”. O fascismo virá com força e uma de suas armas é o esquecimento. Certamente somos contra o fascismo, e por isso nunca será demais lembrar que pelo lado de Ciro havia um projeto e uma alternativa não só a Bolsonaro, mas também ao PT. É esse projeto, essa compreensão e essa esperança que temos que manter vivas no futuro próximo.

O Brasil se avizinha a uma crise democrática e institucional ainda mais grave do que vemos hoje. Parece-me que a militância cirista entende a magnitude do momento histórico e quer se colocar à altura. Não nos ocupam intrigas menores, que apenas reforçam a divisão. Assim como Ciro, temos disposição de sobra para lutar pela democracia, pois, juntos, sabemos que o nosso objetivo é unir a Nação Brasileira.

* Gostaria, com esse texto, de deixar um convite aos demais colegas para relatarem também um pouco da sua experiência de mobilização.

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