Quem diria, hein, Lula?


Por Thais Maschio (Equipe VPM)

Brasil, maio de 2021. Quase meio milhão de mortos pela Covid-19. Na Presidência da República, um negacionista covarde e irresponsável que provoca aglomerações por diversão, que promove em seus canais oficiais tratamentos com medicamentos comprovadamente ineficazes, que desestimula a população a aderir às medidas sanitárias de contenção da pandemia. E, o pior, que negou a milhões de brasileiros a chance de se defenderem do vírus, ao declinar por mais de 10 vezes as ofertas de imunizantes contra o coronavírus.

Para além das centenas de milhares de vidas perdidas, nosso povo, machucado pelo luto, ainda sofre com uma crise econômica sem precedentes na história recente do Brasil, sentindo no bolso e no estômago o vazio da carestia, que chega cada vez mais devastador.

Cenário caótico e insustentável, não é mesmo?

Depende.

LIDERANDO A CONFORMIDADE

Para a nossa surpresa, temos hoje na oposição uma liderança política que defende a tese de que é preciso deixar o genocida, digo, o presidente, terminar seu mandato para vencê-lo nas urnas em 2022.Uma atitude muito republicana em tempos normais.

Mas agora? Sob o desgoverno de Bolsonaro? Quem diria, hein, Lula?

É fato que a instituição impeachment nunca foi solução para interromper um governo incompetente. E concordo que deve ser o último recurso para punir o presidente que cometer crimes de responsabilidade. Mas, levando em conta todo o cenário acima descrito, eu pergunto: qual dificuldade enfrenta uma das maiores lideranças de esquerda que este país já viu para defender abertamente que Bolsonaro seja impedido de terminar o mandato?

Ouso dizer que esta é a primeira vez na nossa história em que testemunhamos um líder de oposição do calibre de Luiz Inácio estimulando sua militância a se conformar com os desmandos de um presidente que vem flagrantemente colecionando crimes de responsabilidade desde o início de sua gestão.

Lembro que em tempos não tão sombrios como os atuais, e por muito menos, Lula liderou a luta popular pelo impeachment de Collor, Itamar e FHC. O que explica essa mudança radical de postura?

Será que os dias de penitenciária acalmaram a verve revolucionária e idealista do homem?

EM DESCONFORMIDADE COM A TRAGÉDIA BRASILEIRA

Independente da viabilidade – ou não – de um processo de impeachment vingar na Câmara e Senado, existe algo que a esquerda brasileira adora fazer: marcar posição. O que neste caso específico, é de extrema importância simbólica.

Dado o cenário caótico em que vivemos, não há exagero algum em afirmar que qualquer liderança de oposição que não se comprometa em engrossar o coro pró-impeachment de Bolsonaro e colocar a questão como pauta prioritária está traindo o Brasil e o povo brasileiro.

Não há tempo para cálculos políticos mesquinhos, muito menos para construir plataforma de campanha para a próxima eleição.

PELO BRASIL, É “FORA, BOLSONARO!”

Agora é hora de gritar um “FORA, BOLSONARO” em uníssono. Pelo Brasil, pelas vidas que foram perdidas, pelas famílias que choram, pelo povo que tem fome e por aqueles que perderam a esperança na política.

Se existe um momento em que a unidade é importante, este momento é agora.

Ainda há tempo de tirar as ideias do campo da retórica, e vivê-las na prática.

Ah! E, Lula, que tal guardar esse republicanismo para usar com os adversários que fazem parte do seu mesmo campo político?

#FicaADica.

3 Comentários

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    Aldemir Felipe

    Precisamos sim manifestar nossa insatisfação com esse desgoverno de Bolsonaro e também cobrar das forças progressivas de esquerda e outros campos, que desejam uma democracia mais forte, uma posição dura contra essa política genocida e negacionista. Não podemos admitir que um político que teve a oportunidade de mudar estruturalmente o pais, com grande popularidade – e não fez – seja capaz de deixar o interesse maior e a vida dos brasileiros em segundo plano, em nome de um projeto de poder pessoal. Lula e seus correligionários estão fazendo uma aposta muito arriscada e entrarão para a história como coautores de uma tragédia que dizimou milhares de pessoas. Parabéns Maschio, Thais.!!

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