PSB e PDT anunciam Márcio França e Ciro Gomes


Ontem, 12/03, PDT e PSB realizaram ato na capital paulista e anunciaram 3 coisas.
A primeira foi uma aliança nacional entre as duas siglas para as disputas municipais em 2020. Até aqui, nenhuma novidade. Desde novembro de 2019 os jornais noticiam a aproximação entre PDT, PSB, Rede e PV para as eleições 2020, com possibilidade de manutenção da unidade para 2022.
A segunda: Márcio França será o candidato da coligação para a prefeitura de São Paulo. Também não surpreende, visto que, antes do Carnaval, lideranças pedetistas já diziam publicamente que Marta Suplicy não se filiaria ao PDT.
Em comunicado à imprensa, PDT e PSB apresentaram dados conhecidos dos analistas políticos brasileiros:
– juntos, os dois partidos possuem a maior bancada do Congresso, o 2º maior número de vereadores e o 3º maior número de prefeitos do país;
– na Câmara, o PSB tem 30 deputados e o PDT, 28 (total de 58) – no Senado, o PDT tem 4 senadores e o PSB tem 02 (total de 06)
– o PDT tem 3.765 vereadores e o PSB, 3.637 (total de 7.402) – o PSB elegeu 414 prefeitos em 2016 e o PDT, 331 (total de 745)

A surpresa do dia emergiu durante os discursos das lideranças presentes. Pelo PDT, Carlos Lupi e Ciro Gomes falaram. Pelo PSB, Carlos Siqueira e Márcio França.
Lupi revelou ainda não estar fechado que o PDT terá o vice de França. Para pedetistas desavisados, foi uma novidade – contava-se que, com a negativa de Marta Suplicy, o PDT indicasse o vice-prefeito. Para observadores experientes, a declaração também foi digna de nota. Ora, o ato pretendia anunciar uma aliança nacional entre PDT e PSB para as eleições municipais ou lançar um candidato a prefeito no município de São Paulo? Mais ainda, por que Ciro, Lupi e o próprio Antônio Neto (cotado pra vice) estariam presentes se nem a candidatura a vice fora assegurada ao PDT?

A resposta veio nos pronunciamentos dos pessebistas. O ato não tratava apenas da eleição paulistana, mas do anúncio de um pacto nacional que culminará na candidatura de Ciro ao planalto, em 2022. Vejamos:
Carlos Siqueira, o presidente nacional do PSB, disse: “esse compromisso entre PSB e PDT incia uma corrida para as eleições municipais de 2020”, “neste momento difícil, nós, que representamos duas forças políticas históricas, temos o desafio de apresentar ao país uma proposta que mude radicalmente o rumo que o Brasil está tendo neste momento”, “para que nós possamos [com a vitória em São Paulo] sinalizar para o país que é possível ter um sistema político diferente, que é possível ter uma proposta de desenvolvimento estratégica para o país”.

Se resta dúvida, ouçam Márcio França: “tenho certeza de que nós vamos fazer uma caminhada aqui [São Paulo] e, daqui, é uma caminhada para outros lugares”, “quando somam nossos dois partidos, quer dizer um tempo de televisão e uma força política maior do que o PT”, “nós dois juntos somos maiores do que o PT, em todos os números”, “nós não somos obrigados a ficar subjugados a nada”, “isso aqui é a chave de uma porta que não é para São Paulo, é para o Brasil”.

Ao bom entendedor, meia palavra basta. A coalizão PDT-PSB não mira somente o ganho quantitativo nas eleições municipais (ampliação de vereadores e prefeitos). Esses partidos buscam a mudança qualitativa na política brasileira: realinhar as forças de centro-esquerda e romper a polarização entre bolsonarismo e petismo. O ato de ontem revelou grande sintonia entre as lideranças partidárias das duas siglas. A meta-síntese do acordo é eleger Ciro Gomes em 2022!

Por Gerri Araújo

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