O Projeto Nacional popular e a cultura


Por Solon Sampaio

Estamos enfrentando a maior crise da nossa geração. A pandemia de Covid-19 trouxe muitas lições ao mundo e, em especial, a nós brasileiros, escancarou a importância de aumentarmos o nosso grau de soberania perante o mundo. Poderíamos reagir de forma muito mais eficaz e eficiente no combate ao vírus se não tivéssemos, nos últimos anos, adotado a política do bom moço no comércio internacional e, tivéssemos adotada uma política integrada de valorização da ciência e tecnologia, cultura, educação e indústria nacional – se tivéssemos assumido uma postura rebelde, como diz o Professor Mangabeira Unger, se tivéssemos executado um Projeto Nacional de Desenvolvimento verdadeiramente popular.

Mas como propagar esse ideal de forma massificada a fim de mudarmos essa realidade no futuro sendo que a grande maioria dos comentaristas de economia e política com espaço na grande mídia, por mau caratismo ou intoxicação ideológica, repetem à exaustão mantras como “temos um estado inchado” ou “o poder público é ineficiente” que reforçam na população o pré-conceito de que o estado não deve intervir na economia e, consequentemente, liderar o desenvolvimento do país? É preciso encontrar um modo eficiente de furar a bolha dos entusiastas desse projeto e, consequentemente, potencializar o alcance dessa mensagem através de um meio de comunicação e linguagem que façam o Projeto Nacional de Desenvolvimento ser entendido e aderido pela maioria da população em detrimento ao culto à personalidade que a polarização “bolsonarismo x lulopetismo” impõem ao nosso povo, através da linguagem simplista e sem projeto de país utilizada pelos líderes dessa polarização, que soam bonito aos ouvidos do brasileiro médio por ser de fácil compreensão.

O que melhor que usar o cinema como ferramenta de propagação desse ideal? A sétima arte tem o poder de fazer assuntos complexos e de difícil entendimento tocarem o coração e o subconsciente das pessoas. Não deve ser difícil encontrar na militância desenvolvimentista um cineasta, um roteirista, enfim, profissionais de cinema dispostos a desenvolver uma animação, um curta metragem, com objetivo de cumprir esse papel. Já temos até o artigo do principal pensador desse projeto nacional popular, Professor Mangabeira Unger, publicado há algumas semanas na Folha de S. Paulo e/ou o livro recém lançado do líder político a executar esse projeto, Ciro Gomes, que podem ser utilizados para adaptar um roteiro. Feito isso, o poder das redes sociais, não só pode como deve ser utilizada, para divulgar esse trabalho.

Essa é a opinião de um mero entusiasta desse projeto, que é completamente leigo em cinema e não tem nenhuma participação no grupo de elaboração de estratégias para viabilizar politicamente o mesmo. É um pensamento de alguém que está “fora da caixa” e, talvez pode ser algo totalmente sem sentido, mas as vezes são de pensamentos que parecem sem sentido que surgem as grandes ideias. Vamos à luta!

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