A precarização do trabalho e o capital produtivo no Brasil


Por Luan Fernandes

O nível de maturidade tecnológica da indústria nacional brasileira tem decrescido desde o ano de 2007. A participação da indústria de transformação no PIB nacional corresponde a meros 10,9 %, menor valor desde o ano de 1947. Em 2014, 50% das exportações brasileiras eram: minério de ferro, soja, açúcar, petróleo bruto e carnes. Articulamos, então, as razões para que todo esse contexto acabe resultando na precarização do trabalho.

Gráfico. Participação da Indústria de Transformação no PIB brasileiro

Participação da Indústria de Transformação no PIB brasileiro

Essa defasagem reduziu a margem de lucro do capital produtivo e consequentemente o interesse das classes dirigentes no setor privado em ampliar e dar competitividade à indústria brasileira. Em outras palavras, tornou-se caro investir em capital produtivo no Brasil e cada vez mais os investimentos migraram para um outro tipo de capital, mais atrativo ao mercado: o capital financeiro.

Talvez a maior percepção dessa mudança passa na observação do Brasil possuir as maiores taxas de juros do mundo (500%/ano no cartão) e o fato de ao entrar em uma loja, seja ela qual for – Marisa, Riachuelo, C&A, Ricardo Eletro, Americanas, Paraguaçu, Walmart… (lista infinita) – a primeira coisa que te vendem é um cartão de crédito, não um produto, pois, aquilo não é mais uma loja e sim uma espécie de banco que vende (e lucra) com operações de crédito.

O desaparecimento do crédito e da demanda interna também tiveram efeitos diretos e violentos na produção doméstica de carros, motos, caminhões, móveis, eletrodomésticos, bens de consumo em geral, matérias da construção civil, aço, entre outros. Nossa produção industrial colapsou com queda de 20%, de 2014 a 2016, e por lá ficou até hoje. Nossa retomada econômica desde então foi muito discreta – se é que houve.

A resposta dada pelo governo Bolsonaro não é desenvolver uma atratividade ao capital industrial por incentivo ao desenvolvimento em sua matriz tecnológica nacional, mas estressar os custos de produção. Como os custos de matéria prima são definidos pelo mercado o único custo sofrerá o estresse é o Valor do Trabalho – redundando na evidente precarização do trabalho patrocinada pelos abutres da política nacional que ascenderam ao poder com Michel Temer e que agora encontram o ambiente perfeito com o atual governo federal.

A Ministra do Tribunal Superior do Trabalho Katia Magalhães afirma que nós estamos vivendo a época cristalização da desvalorização do trabalho. O efeito a médio prazo será o aumento na desigualdade social, diminuição de renda e repressão do mercado interno.

Para isso, a resposta que o Brasil deve dar hoje é um plano que traga o país para o futuro, com um indústria moderna que tenha condição de competir com o mundo todo e gere empregos para os brasileiros.

E esse plano já existe, é o Projeto Nacional de Desenvolvimento, moldado por Ciro Gomes, uma aposta no povo brasileiro e no seu futuro, com começo, meio e fim, metas e objetivos traçados, com vistas à emancipação do nosso povo pela superação do subdesenvolvimento através da garantia da nossa soberania nacional.

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