Necessidade de uma alternativa: pesquisas evidenciam o clima de antipetismo


Uma pesquisa realizada pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, grupo de pesquisa da USP, analisou 115 páginas de maior alcance que promovem a candidatura de Bolsonaro, no Facebook, durante os 40 primeiros dias de campanha. Foram analisadas ao todo 41 mil publicações, que geraram 38 milhões de compartilhamentos.

O levantamento separou uma amostra com as 150 publicações mais compartilhadas, que resultaram em mais de 9 milhões de compartilhamentos. Em seguida, as publicações foram classificadas por temas.

A amostra identificou que o tema com maior número de compartilhamentos se refere ao antipetismo, com mais de 2 milhões de compartilhamentos.

A esse respeito, a pesquisa afirma: “O antipetismo e a rejeição à esquerda e aos partidos muitas vezes se confundem. Parte das publicações são críticas à candidatura de Lula, condenado em segunda instância e sua influência no PT. Mais recentemente as publicações tem se tornado anti-Haddad. Destacam-se também as publicações que tratam todos os demais partidos como ‘de esquerda’, publicações que denunciam que o autor do atentado contra Bolsonaro era de esquerda e publicações que buscam evidências de que a intolerância vem da esquerda e não da direita.”

Temas morais e de costumes (tais como feminismo, homofobia e sexualização da infância) também tiveram impacto significativo no número de compartilhamentos.

O estudo dá o tom daquilo que pode se tornar um eventual 2º turno entre PT e Bolsonaro: um cenário explosivo.

Com o enfrentamento do seu arquirrival preferido (o PT), a direita buscaria inflamar ainda mais o antipetismo na população, explorando a corrupção que ocorreu nos governos petistas.

A seu turno, uma pesquisa XP divulgada hoje (28.09.2018) mostra que 60% dos eleitores não querem votar em um candidato do PT. Mas uma pequena parcela desses eleitores cogita migrar para Haddad no 2º turno, em função da rejeição a Bolsonaro.

O trabalho da direita vai ser convencer o eleitor que um governo do PT seria pior do que com Bolsonaro. Para isso, Bolsonaro vai hastear a bandeira do combate à corrupção, e do Estado Mínimo.

Já o PT tentaria explorar a rejeição de Bolsonaro, pregando o combate ao fascismo.

Apesar de as pesquisas indicarem um leve crescimento de Haddad no 2º turno, a margem ainda é muito pequena, e não há garantia de que o petista pode vencer Bolsonaro. Haddad deve virar presa fácil no 2º turno: Bolsonaro vai despejar os escândalos de corrupção da Petrobras e o desastre econômico do governo Dilma na TV e nos debates, o que pode mexer com a opinião pública.

Bolsonaro vem subindo nas pesquisas do 1º turno, uma vez que os eleitores de Alckmin, Marina, Álvaro Dias, Meirelles e Amoêdo vêm percebendo que seus candidatos não terão nenhuma chance de chegar ao 2º turno. Para piorar, o Centrão está abandonando Alckmin e vai embarcar na candidatura de Bolsonaro.

Em um 2º turno entre PT e Bolsonaro, só há um perdedor: o Brasil.

Caso Haddad chegue ao 2º turno, teremos aí o prenúncio dos temas que deverão tomar conta do debate: antipetismo (principalmente), negação da política, urna eletrônica (leia-se, suspeição sobre as eleições), armamento, punição a bandidos (vulgo “bandido bom é bandido morto”), sexualização da infância (kit gay), etc.

Não haverá discussões sérias de projetos concretos para gerar empregos, para melhorar a saúde, para resolver a crise institucional e o problema da segurança pública. Não haverá um debate aprofundado de ideias para a reforma tributária, reforma da previdência, reforma do sistema bancário. O que se seguirá será um aumento da polarização que vai açambarcar o debate público.

Os temas que realmente interessam ao destino do país ficarão em 2º plano.

Esse quadro mostra que o Brasil precisa de uma alternativa ao PT no 2º turno: uma alternativa que não represente um acirramento da confrontação, uma alternativa que possibilite a pacificação social, que dê vazão à discussão de ideias. Este mesmo blog já listou 32 motivos pelos quais Haddad não é uma boa opção.

Ciro Gomes se mostra como a alternativa mais viável para evitar um 2º turno desastroso e incerto entre PT e Bolsonaro. Ciro desenvolve uma campanha propositiva, se consolidou no 3º lugar, enfrenta a menor rejeição entre todos os candidatos competitivos, além de possuir ampla experiência, preparo, e ser ficha limpa.

O jogo ainda está em aberto.

Em 2014, faltando apenas 10 dias para a eleição, as pesquisas indicavam Marina com 10 pontos à frente de Aécio Neves, e ele passou. Em tempos de comunicação instantânea, a possibilidade de virada é real.

 

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Aqui explico melhor por que votar em Haddad pode ser uma má ideia: Ciro vs. Haddad: 32 motivos pelos quais vou votar em Ciro Gomes

Veja também: 65 motivos para votar em Ciro Gomes

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