Colapso e mortes: o destino Bolsonaro


Por Mabel Teixeira

Nesta semana ouviremos, mais uma vez, Bolsonaro culpabilizar governadores. Veremos o 4º ministro da saúde zanzando pelo noticiário sem um plano nacional para conter a pandemia. Assistiremos, ao vivo, o desespero de famílias pela falta de oxigênio, de medicação, de auxílio emergencial, de leitos, de vacinas, de qualquer saída. Esta semana tomaremos ciência da “queda de mais um Boeing”, seremos informados que o Brasil chegou a 300 mil mortos por Covid-19. Constataremos com apatia nosso destino Bolsonaro.

UM CAMINHO CONHECIDO

Experimentamos, hoje, uma tragédia incansavelmente anunciada. Tateamos o horror imaginado, sentimos na pele as consequências prenunciadas de uma escolha. Podemos, em nossa defesa, alegar revolta, mas jamais poderemos dizer que fomos enganados ou surpreendidos.

A notoriedade de Jair Messias foi alcançada graças a seu apreço pelo regime militar, pela tortura, armamento, pelo extermínio do outro. O destino Bolsonaro sempre foi a morte.

Ainda em 2017, o então deputado afirmava: “sou um capitão do Exército, minha especialidade é matar, não é curar ninguém”. Como legislador, o capitão defendeu, sob protestos da comunidade científica, o uso da fosfoetanolamina, promoveu curas milagrosas e apregoou que só mudaríamos o Brasil “fazendo o trabalho que regime militar não fez: matando uns 30 mil”.

O “mito” se fez a partir do absoluto desapreço à vida. Onde mais poderíamos chegar ao seguirmos suas coordenadas?

O CEMITÉRIO DO MUNDO

Devemos, sim, reconhecer o sucesso do governo federal. A necropolítica defendida (desde sempre) pelo presidente transformou o Brasil no cemitério do mundo e fez do capitão um soberano. O poder de decidir entre a vida e a morte lhe foi entregue, por nós, em 2018, mas sua escolha já havia sido anunciada, repetida e conclamada.

Somos o epicentro global da pandemia. Representamos a morte. Aceitamos o destino Bolsonaro e, em nossa apatia, nos tornamos dia a dia o reflexo de nosso presidente. Enquanto não reagirmos contra a política genocida do governo, enquanto não nos levantarmos e lutarmos para mudar os rumos por ele traçados, seremos apenas coro para sua voz.

Esta semana, mais uma vez, ecoaremos, em nossa imobilidade e perplexidade, a fala do capitão: “lamento todos os mortos, mas é o destino de todo mundo”. Até quando? Quantas semanas mais? Quantos mortos serão necessários para mudarmos o destino da nação?

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