Mangabeira Unger e a economia do amanhã


Por João Francisco Marum

Roberto Mangabeira Unger afirma que os maiores estudiosos da economia sempre olharam para as práticas vanguardistas do hoje a fim de investigar a economia do amanhã.

Não é mais a produção em larga escala que coloca uma empresa na vanguarda, mesmo com a tecnologia mais atualizada. É toda a metodologia de funcionamento de uma firma que a coloca na vanguarda. São aquelas que conseguem combinar a capacidade de produção em escala com a capacidade de inovação constante.

Quem já ouviu falar do ambiente de trabalho das empresas de ponta como Google, Microsoft … ouviram falar desses escritórios com mesa de pingue-pongue, espaços para relaxar. Os funcionários devem cumprir suas tarefas com excelência e dentro de planejamentos de curto, médio e longo prazo. Tudo arquitetado, mantido pela cadeia cooperativa.

Desses funcionários, também se espera a inovação. Essas empresas sabem que o processo imaginativo é menos provável em mentes muito ocupadas, também que as ideias realmente inovadoras não ocorrem com muita frequência.Por isso, elas provem ócio. Uma mente que passa mais de 8h por dia se concentrando em processos repetitivos não cria.

Roberto mangabeira Unger diz que a mente tem duas modalidades de funcionamento: máquina e anti-máquina. Ou, se preferirem, modular e imaginativa.

O funcionamento modular ou máquina ocorre quando estamos preenchendo dados em uma planilha excel ou limpando o chão de nossas casas. Já o anti-máquina, se revela ao contarmos uma piada entre amigos ou ao termos uma ideia para otimizar um processo interno de uma empresa, criando todo um outro processo mais preciso, menos custoso, mais rápido, mais ambientalmente amigável.

Essas empresas mantêm seus funcionários motivados porque são bem remunerados, encontram um confortável e organizado ambiente de trabalho, estabelecendo momentos de lazer. Em contrapartida, elas têm funcionários produtivos, que atualizam a empresa constantemente, dispostos a fazer a coisa andar para frente.

Em sua obra, Unger propõe uma série de rearranjos institucionais para que as empresas, mesmo as micro e pequenas, também funcionem dentro da lógica da economia do conhecimento. Isso para que, dentro do possível, elas desenvolvam processos mais modernos, encontrem melhores condições de competitividade, atuem mais na formação dos trabalhadores e que construam um ambiente de trabalho mais harmônico.