Janelas pela Democracia: Ressignificando as panelas


Por Elza Mariana de Mendonça

Amanhã (18), às 18:30h, será realizada a segunda edição do “Janelas Pela Democracia”. O movimento reúne os partidos (PDT, PSB, REDE, PV, Cidadania) com o objetivo de chamar atenção do povo brasileiro para os desmandos do governo Bolsonaro. A postura do presidente brasileiro está sendo analisada pelo Tribunal Penal Internacional a partir de ação do Partido Democrático Trabalhista. O PDT listou uma série de episódios nos quais Bolsonaro ignorou as recomendações da OMS, seja dando o mau exemplo, ou se esquivando das responsabilidades legais em função da posição que ocupa.
O acúmulo dessas irresponsabilidades agravou um quadro econômico bastante delicado, no qual o país gestou um pífio desempenho (o pibinho) e alargou a informalidade entre os trabalhadores. Sem garantias trabalhistas, boa parte dos trabalhadores brasileiros se viram em uma encruzilhada. Com a demora do auxílio emergencial, que para muitos ainda não saiu, muitos irmãos(ãs) nossos precisaram se virar de todas as formas e correr imensos riscos para garantir a sobrevivência da família.

Fila para receber o auxílio emergercial. Avenida Cruz Cabugá em Recife

Fila para receber o auxílio emergercial. Avenida Cruz Cabugá em Recife

 

Paulo Guedes

Paulo Guedes (Reprodução: Rede Brasil)

Essa sensação de abandono e a omissão calculada do presidente Bolsonaro tem gerado reações muito diversas. De um lado, manifestações de solidariedade se espalharam pelo país. As comunidades organizaram campanhas virtuais de doação, governos e prefeitos estabeleceram bloqueios. Na outra ponta, parte do grupo bolsonarista seguiu desrespeitando o isolamento, provocando aglomerações, desafiando as instituições do país, e mais, incentivados pelo presidente, fanáticos invadiram hospitais na tentativa de comprovar “a farsa do coronavírus”.

Vendo a Democracia ser disputada, em meio ao desacato permanente das regras de um país em plena crise sanitária e econômica, movimentos se organizaram para ocupar as ruas. Eles se intitularam movimentos antifascistas. Rapidamente essas campanhas proliferaram nas redes. Era o grito de desespero, era a tentativa de dizer “basta”, “já chega”. No entanto, essas repercussões precisam adquirir solidez política, ter pautas objetivas e estabelecer as diretrizes de ação de acordo com o que podemos fazer hoje.

Protesto 31 de maio de 2020

Protesto 31 de maio de 2020 (Reprodução: Twitter)

Neste momento não podemos ir às ruas. O Brasil não chegou ao ápice da curva do coronavírus e incentivar aglomeração, por mais razões que tenhamos para manifestar contra o Bolsonaro, iria contra tudo que nós pregamos até aqui. Ainda assim, continuamos comprometidos com a pauta do trabalhador, do morador da comunidade e daqueles que tem esperança de ver todas essas vidas construírem um país melhor, recebendo a segurança, o respeito, o salário, os direitos trabalhistas.

Por que aderir ao Janelas pela Democracia? Bater panela é coisa daqueles brasileiros fantasiados com a camisa da CBF? As panelas não tem lado. No Chile, já foram usadas tanto contra o governo democrático de Salvador Allende, e no mesmo país, anos depois, para manifestar contra o ditador Pinochet. Na memória do brasileiro os protestos a favor do golpe da ex presidente Dilma Rousseff ainda estão presentes, mas, encontramos a oportunidade perfeita para ressignificar essa história. Vamos juntos dar um basta ao desgoverno do Bolsonaro?

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