Professor da Unicamp defende que Haddad abra mão da reeleição e apoie Ciro Gomes em 2022


Marcos Nobre, filósofo e professor livre-docente da Unicamp, concedeu entrevista à Folha de S. Paulo, analisando o cenário eleitoral.

Na visão de Nobre, há apenas um caminho para que Fernando Haddad (PT) derrote Jair Bolsonaro (PSL) na eleição: mostrar que Haddad não é o candidato do PT, mas sim o de uma frente democrática.

Na avaliação do filósofo, o primeiro passo de Haddad deveria ser abrir mão de se candidatar à reeleição, caso eleito, e afirmar que Ciro Gomes (PDT) será o candidato dessa frente democrática em 2022.

“Se quiser ganhar, Haddad tem que ser o candidato de uma frente de defesa das instituições democráticas. Se quiser ser o candidato do PT, vai perder. E o peso de uma possível regressão autoritária vai cair sobre as costas do PT. Haddad deveria sinalizar claramente para o eleitorado que o governo dele será radicalmente diferente de qualquer governo anterior do PT.”

“A primeira coisa é chamar Ciro Gomes e dizer: ‘Eu abro mão de me candidatar à reeleição se for eleito e acho que nessa frente que montamos Ciro deveria ser nosso candidato em 2022’. Com isso, afasta-se o medo que as pessoas têm de que o PT vai se perpetuar no poder.”

“O que acabei de dizer significa fazer gestos concretos na direção dessas pessoas. Não é apenas, ‘eu quero conversar com você’. Palavras não bastam. São gestos concretos para se formar uma frente. Uma frente não se forma apenas porque do outro lado há um risco à democracia.”

“Quando se tem uma tarefa histórica na sua frente, as pessoas e as instituições mudam. A situação é completamente diferente da de qualquer outra eleição. Se Haddad jogar essa chance fora, carregará esse peso. Vão perguntar: ‘por que, então, não deixou o Ciro ir?’.”

Marcos Nobre, 53, é professor de filosofia da Unicamp e pesquisador do Cebrap. É mestre e doutor em filosofia pela USP. Escreveu os livros “Imobilismo em Movimento” (Companhia das Letras, 2013) e “Como Nasce o Novo” (Todavia, 2018).

Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

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