A grande mídia também contribuiu para as 500 mil mortes


Por Bruno Machado

Há alguns meses várias prefeituras decretaram o fechamento de quase todas as atividades econômicas das cidades por conta do esgotamento da capacidade do sistema de saúde, tanto público quanto privado, em diversas partes do país. Após, diga-se, pressão e apoio da grande mídia.

A NOVA JABUTICABA

Sem programas de pensão, seguro e pagamentos de salários por parte do governo, como ocorreu nos EUA pagando mil dólares ao mês por cidadão adulto e a Europa pagando em média 70% da folha de pagamento das empresas em troca da não demissão e da manutenção da pessoa jurídica ativa, os “lockdowns” sem contrapartida se tornaram a nova jabuticaba.

Enquanto o presidente, único capaz de endividar o Estado e emitir moeda, em um momento de juros baixos e reservas em dólar em patamares seguros o suficiente para esse tipo de medida, defende o não gasto público e o não lockdown, as prefeituras se veem forçadas a decretar o fechamento dos comércios, o que está sobre sua alçada, enquanto deixam o governo federal decidir sobre os pagamentos de seguros ou de salários aos trabalhadores, fato que não ocorreu e nem está nos planos do presidente da República, nem mesmo é pressionado pela mídia.

Sem endividamento público para manter a renda dos trabalhadores, as empresas em toda a região onde se decretou “lockdown” passam a ter sua manutenção com os dias contados já que ficam sem fonte de receita. Sustentar os custos de operação torna-se inviável. Isso só pode causar desemprego e redução ainda maior da renda dos trabalhadores, que determina a demanda que as empresas disputam entre si.

A DEFESA DESACABIDA DA GRANDE MÍDIA

A mídia de grande repercussão tem defendido a adoção do lockdown, se espelhando em cidades europeias, enquanto defende o teto de gastos e condena o aumento dos gastos públicos, escondendo o que foi feito nessas mesmas cidades europeias.

Como os grandes veículos de mídia e os grandes partidos no Congresso representam majoritariamente os interesses do agronegócio (que tem a exportação como alternativa) e os bancos (que seguem ganhando com as bolsas no Brasil em patamares elevados) pouco se fala sobre a necessidade de evitar uma recessão ainda maior do que a que está desenhada e destruirá o setor de comércio e serviços (esse menos concentrado e influente no poder político e econômico do Brasil).

Os prefeitos querem evitar pilhas de cadáveres sendo acumuladas nas cidades sobre suas gestão, mas seus partidos seguem defendendo a contenção dos gastos públicos e impedem um lockdown com contrapartida financeira. Como não se pode esperar nada desse governo federal, que manteve o país no mesmo patamar de incapacidade para lidar com a pandemia após um ano inteiro para se estruturar, a população ficou refém de medidas sem pé nem cabeça por parte das autoridades. Nesse cenário, nosso povo acabou perdendo o emprego e desrespeitando o “lockdown” para sair às ruas tentando vender comida e limpar a casa da classe média alta que manterá sua renda segura aconteça o que acontecer. A mídia, adepta ao neoliberalismo, também tem sua responsabilidade nas 500 mil mortes ao criar o lockdown sem contrapartida.

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