#ForaBolsonaro: não é questão de política, é questão de caráter


Por Michel Abelaria

Sempre fui uma pessoa de posicionamentos claros, de personalidade confrontante, de questionamentos e resoluções transparentes. Nunca hesitei em me expor ou em tomar a liderança de algo por medo das possíveis consequências.

Nunca quis ter a imagem de um boa praça, o cara que todo mundo gosta, mas ninguém conhece. Prefiro ser conhecido profundamente e dar aos outros a chance de me amarem ou me odiarem e ambos aprendermos juntos.

NÃO PODE HAVER TOLERÂNCIA COM O EXTERMÍNIO DO OUTRO

Dito isso, o meu #forabolsonaro não é só um posicionamento sobre o presidente da República, é principalmente uma discussão de valores, de caráter, do que está por trás do apoio que ele recebe, da negação das suas diversas facetas cruéis em benefício de questões pessoais ou de grupo.

Pra mim, não existe meio termo nesse caso. Não existe negociação de valores, não pode existir tolerância com a discriminação e o extermínio do outro.

POR TRÁS DA CAMARADAGEM, UMA VERDADE HORRIPILANTE

Esse assunto parou de ser, há muito tempo, uma discussão política no sentido partidário e começou a ser uma discussão política no sentido social e moral. No momento em que questões como racismo, homofobia, misoginia e a própria democracia foram banalizadas, a política, antes só discutida e vivenciada pelos cientistas políticos e pelo próprio executivo, adentrou como uma estaca afiada no coração da sociedade, no nosso cotidiano, nas nossas relações pessoais.

Qualquer um em posição de opressão, não conseguiu mais olhar pro parceiro, seja amigo, colega, amante, família, que apoia o presidente e não pensar que por trás das convenções sociais, da camaradagem, do profissionalismo, da dependência de qualquer espécie, ele deseja que a opressão persista, que você mude ou que, se você morrer, tudo bem. A verdade que pode ser imaginada por trás da boa convivência dessa pessoa é horripilante.

BANALIZAÇÃO DO ABSURSO

Se você é meu amigo e pensa que eu estou exagerando e transformando política em algo maior do que deveria e que eu sou um desses partidaristas roxos que defende seus políticos de estimação com unhas e dentes, observe ao seu redor e veja que tem muita gente comigo. Todas essas pessoas não podem ter se tornado partidaristas doentios só agora. É porque não é o caso, só estão todos revoltados com a banalização do absurdo.

Ainda, se você é meu amigo e não quer o mal dos oprimidos, nem o fim da democracia, nem acha que essas questões são levantadas de maneira séria pelo presidente, e apenas o apoia porque acha ele um cara transparente e objetivo, você está muito mal informado ou totalmente cego pelas tradições (tema insistentemente trabalhado pelo presidente).

E essa desinformação ou cegueira tem consequências gravíssimas na vida dessas pessoas e, sim, você é culpado por isso.

SIM, ISSO É SÉRIO

Apoiar o Bolsonarismo ou ser parte dele, pra mim, antes de tudo, é uma questão de valores, de caráter, não de política. E você simplesmente não admira ou tem amizade por quem não tem caráter ou valores, certo? Porque é disso que é feita a manutenção do mundo, da nossa existência, do nosso bom convívio e da garantia de que todos serão preservados independente da sua cor, gênero, crença ou sexualidade. E não posso ter admiração nem amizade por quem não quer isso. SIM, ISSO É O QUANTO ISSO É SÉRIO!

Não é questão de política, é questão de caráter.