Fora Bolsonaro e Cirino já!


Por Gabriel Rocha

Primeiramente, quero pontuar que a pauta imediata é fora Bolsonaro! e que qualquer assunto é secundário em relação aos caos que já nos tomou mais de meio milhão de compatriotas. No entanto, não posso me furtar à realidade dos fatos, os quais me impõem prestar atenção e debater as últimas movimentações políticas de um de nossos adversários diretos no pleito que chega ano que vem: o sapo barbudo.

O SAPO BARBUDO SE MOVIMENTA

Luis Inácio já tomou as duas doses da vacina e, como um malandro que é, sabe claramente que nem sempre precisa alinhar discurso e prática (ainda que seja o eticamente correto a ser feito). Por isso, aglomera e presta um desserviço à ciência e aos apelos de se evitar grandes concentrações de pessoas em ambientes fechados ou com pouca ventilação, enquanto parte razoável da população não estiver imunizada; reúne dezenas de pessoas em um espaço aparentemente inapropriado para receber a quantidade de envolvidos que pôde ser vista em fotos que circularam nas redes sociais e serve de alvo para o dissimulado Toinho da Lula, que tuíta de dentro do Palácio Presidencial.

Embora não seja o melhor dos exemplos a ser seguido, fato é que o ex-presidente, com o canto da sereia, vai formando alianças por aí, nem que elas se baseiem em promessas vazias ou reflitam pura ansiedade de uma das partes. Por essas e outras, Ciro, Lupi e o restante da cúpula do PDT devem se esforçar para concretizar aliança com o atual Governador do Maranhão o quanto antes.

DINO E O MEIO NORTE DO BRASIL

O Maranhão é, juntamente com o Piauí, um dos estados mais pobres da federação. Ambos compõem uma região denominada de meio norte, a qual sou suspeito de falar, pois é onde tenho minha raízes.

O meio norte é faixa de transição entre a Amazônia e o sertão semiárido do Nordeste e seu litoral foi carinhosamente apelidado de entrada do Caribe. Ele – que abriga parte do Maranhão e do Piauí – encontra-se dentro do área conhecida como Arco Norte dos portos brasileiros.

O Arco Norte tem uma posição estratégica para o escoamento de riquezas produzidas Brasil adentro, conectando o Centro Oeste e o Norte (floresta amazônica) com o mar, e para o turismo na América Latina, sendo o elo que une a extensão acima citada da América central e da floresta amazônica com o Nordeste brasileiro.

Ademais, é nessa extensão do Brasil, onde “o vento faz a curva”, que temos as menores distâncias entre o Brasil e tanto o leste da América do norte (EUA) quanto o oeste da Europa e noroeste da África, sendo, por consequência, uma alternativa economicamente muito mais viável para o fluxo de cargas do que os sempre priorizados portos do Sul e Sudeste brasileiros.

POTENCIAL ECOTURÍSTICO PODE SER MELHOR EXPLORADO

A respeito das belezas naturais da região (e aqui me refiro toda a faixa litorânea que vai do norte do Amapá até a bela capital do Ceará), quem nunca ouviu falar das belezas de Jericoacoara, das praias de Camocim ou dos Lençóis Maranhenses? Todas essas belezas e um tanto mais estão nessa região, como o Cabo Orange e o Delta do Parnaíba, o último beleza natural derivada do rio Parnaíba, maior rio genuinamente nordestino (uma vez que o Velho Chico nasce no sudeste).

Tal qual o Rio Amazonas e tantos outros rios Brasil afora, o Parnaíba nasce dentro de nosso território e corre terreno afora à procura do mar, além de ser o marco natural que define os limites dos estados do Maranhão e Piauí, encontrando-se a sua nascente, na Chapada das Mangabeiras, localizada no Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, região limítrofe entre os já citados Piauí e Maranhão e Bahia e Tocantins.

Confesso que rios que cruzam o país e desaguam no mar são uma de minhas formações naturais preferidas. O Velho Monge, como é conhecido o Rio Parnaíba (que por sinal dá nome ao único município do Piauí que fica no litoral), é navegável em toda sua extensão, o que facilita bastante o fluxo de cargas e pessoas.

O Ceará, por sua vez, já se aproveita desse potencial, sendo um dos locais do Brasil mais visitados por estrangeiros, recebendo vôos diários vindos dos EUA até antes da pandemia. Com ações coordenadas para o desenvolvimento do setor na região, que inclui além do Parque Nacional do Cabo Orange, no Amapá, os Lençóis Maranhenses e o Delta do Parnaíba, esses locais certamente comportariam receber ainda mais turistas do Brasil e do mundo inteiro, gerando emprego e renda para milhares de nacionais, para as duas regiões com menor renda per capita do país.

POLO PARA EXPORTAÇÃO COM O HEMISFÉRIO NORTE E COM O NORTE-AFRICANO

Pelo lado da importância estratégica para o Brasil em termos de exportação, a região é menos distante que o Sul e o Sudeste. Logo, é uma boa alternativa para reduzir custos de logística para escorrer a produção vinda do interior das regiões Centro-Oeste e Norte do país.

Com investimentos direcionados em infraestrutura de transportes (considerando os rios como modal importante) é fato o Brasil potencializaria a sua capacidade de enviar produção nacional ao exterior, por exemplo, dinamizando assim as economias de uma região do território brasileiro historicamente mais vulnerável em termos de emprego e renda.

Na região, concentram-se mais de uma dezena de portos, dos quais Dino e Ciro conhecem bem os de Pecém, no Ceará, e Itaqui, no Maranhão, ambos exemplos de boa gestão e eficiência – sempre em parceria com o setor produtivo. O Porto de Itaqui, por exemplo, apresenta resultados de crescimento sucessivo em fluxo de cargas, sendo um dos portos públicos mais eficientes do país. Nesse sentido, a faixa costeira da região do Arco Norte poderia tranquilamente receber obras para ampliação destes pontos de carga e descarga, tão vitais para o envio da produção interiorana para o estrangeiro.

CHAMEM DINO PARA O BAILE. NÃO PERCAM TEMPO!

Por conta dessas relevâncias para o contexto nacional, que a região do meio norte tem é que venho clamar nesse texto: presidente Carlos Lupi, diretiva do PDT e militância, movamos mundos e fundos para termos uma aliança firmada com Dino o quanto antes!

Ter dois nomes que pensem o meio norte com expertise é fundamental para diminuir a desigualdade econômica entre regiões do Brasil, fortalecer o PIB nacional e elevanr renda e IDH para estados que historicamente ocupam as últimas posições dos rankings nacionais. Ainda que ele vá para o PSB, não podemos nos furtar a fazer esse esforço em torno de um gigante nacional. Mesmo que isso ajude a rachar um partido historicamente dividido entre Nordeste e Sudeste. Não é nosso problema se o Escorpião Rei tenta cooptar a tudo e a todos, não podemos ficar inertes a essa movimentação.

Ter o governador do Maranhão ao nosso lado é um trunfo que ultrapassa qualquer cálculo eleitoral e diz muito sobre nossa visão de Brasil. Isso sem mencionar que isolaria o RJ como destoante da sigla nacionalmente, já que no Pernambuco existe uma cizânia nítida entre PT e PSB, cujo último capítulo se deu na disputa eleitoral para prefeito, ocorrida ano passado, entre integrantes da família Arraes.

UM CARA DO POVO

Dino, um cara que estabelece os pisos salariais que estabeleceu a agentes de segurança e professores, que atua como tem atuado durante a pandemia (na capital São Luís, já está em curso imunização para menores de 30 anos e o estado já recebe o ‘turismo da vacina’), e que dialoga de maneira simples e efetiva com o povo não pode ser deixado escorrer por entre os dedos.

Sinceramente não consigo enxergar nenhuma óbice para que tal esforço não seja feito. Falo isso como um mero cidadão que, observando de fora o todo, procura estar atento às movimentações dos atores políticos e que acredita que Ciro, apesar das brilhantes ideias, precisa de líderes carismáticos e eficientes ao seu lado, como o prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil e o atual governador do Maranhão.

Dino é um cara do povo, sabe do chão que o trabalhador pisa e não entra na superficialidade de se colocar produção x saúde em perspectiva rivalizante, entre outras polêmicas vazias que tomam conta do cenário político nacional como cortina de fumaça para os sucessivos escândalos envolvendo a familícia. Enquanto o Governo Federal reiteradas vezes brincou e brinca de pautar a mídia com factóides, o governador trouxe (num esquema que, infelizmente, dadas as condições, pareceu coisa de filme hollywoodiano) soluções. E enquanto o povo, perdido, tentava entender entender melhor a doença em meio a uma guerra de narrativas, que opõe dois lados extremamente raivosos de uma mesma moeda, Dino liderava o consórcio Nordeste para a compra de vacinas e outro insumos básicos para produção do imunizante.

Uma pena que nem todos esses esforços por parte do Governador tenha tido a eficácia que mereciam. Porém, seu empenho e sua competência não podem, nem de longe, serem menosprezados para fins eleitorais. Ter palanque com um cara como ele é ter alguém que sabe como poucos como governar e como dialogar com o povão sofrido e batalhador do Brasil profundo.

Ainda, Dino sabe que a educação é o meio mais eficiente para se emancipar uma sociedade mentalmente e, consequentemente, materialmente – tanto que inaugurou e reformou escolas como mais ninguém neste país durante o mesmo período; fato que se alinha integralmente às bandeiras de nossa sigla. Dino é um homem de sensibilidade, entende as ciladas que envolvem o discurso de parte da esquerda acadêmica e elitizada, a qual menospreza a importância do combate sério ao crime, principalmente o organizado, nas grandes cidades brasileiras – por isso, aumentou o piso salarial e contratou policiais em número poucas vezes visto no estado.

Ou seja, Flávio Dino é a inteligência e a voz agregadora que Ciro e nosso PND precisam para se fortalecer ainda mais. É a voz que insiste no aprofundamento de um pensamento genuinamente nacional para atender aos interesses do povo oprimido e daqueles que querem produzir em seu país e para seu país – como eu e tantos outros milhões de nacionais! É a voz de quem sabe ser honesto, leal e transparente no trato com a coisa pública. É a voz de um homem genuinamente conhecedor do Brasil profundo, do Brasil desigual, que peca ao não conhecer os quatro cantos de nosso território e não investir nele de maneira a reduzir as drásticas diferenças inter-regionais.

UMA ALIANÇA POSSÍVEL E NECESSÁRIA

Enfim, eu poderia passar horas aqui fazendo uma defesa ferrenha dos benefícios e dos porquês dessa aliança, a meu ver tão necessária para o desenrolar nacional das movimentações do PDT. A mim me parece claro que esperar mais que hoje (como Lula já demonstrou que não fará e é o que Ciro, até por coerência pelo que pregou a vida inteira, vem demonstrando que continuará a fazer até que haja condições sanitárias mais seguras para atos do tipo) pode ser um erro de grau elevado para as ambições em relação ao pleito do ano que vem. E aqui eu faço um cálculo extremamente perigoso, pois sei reconhecer todas as nuances das decorrências do que prego. Porém, é extremamente necessário. Não tem como ser diferente.

Meu caro Lupi, o lance é juntar Weverton Gomes, a quem Dino já demonstrou simpatia para ser seu sucessor, Ciro e o atual governador na mesma sala e os trancar lá indefinidamente, até que haja uma adesão formal ao PND. A tarefa não é simples, reconheço, pois Dino tem a justificativa perfeita para se esquivar disso agora, e com razão – está a cuidar da ampla imunização da população de seu estado. Mas sonhar e cobrar não custa. Então, se Randolfe, Heloisa e Marina puderem se fazer presentes neste momento, melhor ainda. Para que, dessa forma, formemos uma das alianças nacionais mais fortes dos últimos tempos.

E falo sem o menor medo de soar exagerado. Ainda que haja outras nuances partidárias a serem consideradas com o PSB, cotado como destino natural do ex-juiz, é inegável que essa movimentação ajudaria a consolidar um elo nacional, que quase deu certo em 18 (sabotado pelo Escorpião Rei) e que tem tudo para acontecer em 22 (ainda que o RJ, ao que tudo indica, cometerá esse erro crasso de direção). O PSB e Dino sabem, melhor que qualquer pessoa ou sigla, que somos seus melhores opções de aliança nesse momento tão crítico desde o fim do regime autoritário de exceção.

Repito, defender esses esforços intensos não significa sonegar a importância de extirpar esse câncer social chamado Bolsonaro (vulgo B17) e formar uma frente ampla. Tampouco minimizar o excelente trabalho de João Santana até o momento. Mas, como dizem por aí, o jogo é jogado e, dentro do desafio que se impõe (entenda-se, continuidade da hegemonia escorpiana autorreferindo-se como melhor opção eleitoral), esperar para agir é um risco muito alto a essa altura dos fatos.

1 Comentário

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  1. 1
    Iury Soares Silva

    Seria uma ótima possibilidade, porém ainda não sabemos a verdadeira opinião do PSB sobre isso. E o pior, nem sabemos das atuais articulações do PT para minar essa perspectiva. Sigamos na defesa de Ciro e juntos em unidade!

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