4 dicas preciosas sobre emprego aprendidas com Ciro Gomes


Apesar de essa ser uma qualidade bastante rara nos governantes de ultimamente, o pensamento político e econômico também pode fornecer ideias preciosas para nossa reflexão como profissionais.

Confira abaixo 4 dicas sobre emprego e visão profissional que podem ser extraídas dos debates feitos por Ciro Gomes.

1) Vai escolher sua carreira? Pense seu trabalho observando o que a tecnologia e o conhecimento podem trazer de mudanças

Saber como usar tecnologia de ponta e como agregar conhecimento a produtos ou a serviços é uma condição necessária para o crescimento de uma empresa e de um profissional do século XXI.

Do ponto de vista individual, pode-se dizer que os profissionais brasileiros exibem uma intensa energia criativa e, por maioria, têm buscado cada vez mais aprimorar seus conhecimentos e formação, com novos cursos e treinamentos.

O hábito de se atualizar será cada vez mais importante, e tem sido buscado pelos brasileiros mesmo que, muitas vezes, as condições para isso não sejam fáceis: falta tempo disponível, falta treinamento focado, faltam cursos profissionalizantes que ensinem habilidades mais atuais aos jovens profissionais, falta renda suficiente para que as pessoas invistam em sua formação.

Do ponto de vista das empresas e dos diferentes setores da economia (indústria, comércio, serviços, agropecuária), a criação e a posse de tecnologias e conhecimentos raramente são possíveis sem o avanço científico básico do país e sem uma estrutura de financiamento que possa ajudar empreendedores e/ou produtores a adquirir novos equipamentos e serviços.

Contudo, há propostas sendo pensadas para que o Brasil possa entrar em uma Economia do Conhecimento, aproveitando a energia criativa de seus profissionais e incentivando seus produtores e empreendedores a se atualizarem e a competirem em pé de igualdade com as mudanças presentes nos países mais ricos – é nesse ponto que pode ser citado um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento que vem sendo debatido por Ciro Gomes.

Por isso, no momento de escolher uma carreira, de iniciar um novo negócio ou de mudar de planos pensando no futuro, será essencial que os profissionais todos reflitam sobre como seus trabalhos poderão ser afetados negativamente ou positivamente, caso tenham ou não acesso à tecnologia e ao conhecimento atualizados.

2) Para quem está empregado, pense em seu futuro desejado e compare ao que está sendo oferecido aos idosos brasileiros hoje

Um primeiro ponto importante, sempre indicado aos profissionais já empregados, diz respeito à importância de poupar. Além de ser uma ação fundamental para evitar o endividamento e para se planejar na compra de algum bem, poupar alguma quantia que nos sobra é fundamental porque nos ensina o seguinte raciocínio: em nome do futuro, é preciso tomar uma decisão que começa hoje.

Nesse sentido, o hábito de poupar ajuda todos os profissionais, individualmente, a criarem um pensamento prospectivo, visando um futuro protegido. Já coletivamente, na escala de milhões de brasileiros, os níveis de poupança podem ser vantajosos para a economia do país pois, com mais dinheiro em caixa, fica menos necessário se endividar para conseguir fazer investimentos que beneficiem sua própria população.

Contudo, a economia do país atualmente não tem colaborado para que a maioria dos profissionais tenha condições de poupar e de pensar seu futuro, visto que a renda média dos brasileiros é curta e, quando sobra algo para ser poupado, a remuneração da poupança é bastante baixa.

Além disso, com a última Reforma da Previdência, aprovada em 2019, o acesso à aposentadoria passou a depender de mais tempo de trabalho e, ainda, passou a conceder menos dinheiro, proporcionalmente, na comparação com o passado. Hoje, o que se oferece aos aposentados, ou aos brasileiros perto de se aposentar, é uma situação difícil e, por isso, os profissionais atuantes hoje em dia precisam ficar atentos e precisam acompanhar as decisões econômicas que influenciarão seu futuro.

No cenário atual, apesar de todos colaborarem para a aposentadoria de todos (com a repartição dos custos), a previdência pública não permite que um profissional possa complementar essa contribuição mensal e colaborar para a poupança de si mesmo (como uma capitalização). Se isso ocorrer um dia, o valor da repartição poderia ser complementado com recursos do próprio profissional, e também com um percentual pago por seu empregador, de modo semelhante ao que já é descontado atualmente.

Essa proposta (combinando a repartição com a capitalização a partir de empregadores e funcionários) foi debatida por Ciro Gomes e sua equipe econômica há alguns anos e, apesar de não ter sido ainda reconhecida como saída para a previdência e poupança pública dos trabalhadores, merece especial atenção dos profissionais atentos a seu próprio futuro.

Já que as decisões governamentais ainda não se atentaram para a importância sistêmica disso hoje em dia, no caso do profissional que compreendeu a necessidade de poupar e que disponha de alguma quantia excedente, será preciso buscar uma saída individual, ligada ao sistema bancário brasileiro.

3) Vai abrir um negócio? Observe onde está a produção e veja se há uma boa opção para sua empresa nessa cadeia de trabalho

Como a alta do dólar afetará os produtos e serviços que você ou sua empresa vendem? Seus materiais de trabalho ficam mais caros devido a essas mudanças internacionais? Em qual escala você precisaria vender para ter o retorno esperado? Existe algum contexto internacional (disputas ou diferenças entre países) que pode afetar negativamente sua empresa ou seu emprego?

Não são apenas os grandes empresários que devem fazer esse exercício de reflexão. Os médios e microempresários também são diretamente afetados por mudanças no comércio exterior e na produção mundial, por isso é preciso acompanhar com senso crítico esse contexto mais amplo.

No Brasil, produzir um bem ou serviço precisa ser mais rentável do que apenas ganhar dinheiro alocando altas quantias em ações ou investimentos. Quando essa opção se torna mais rentável do que investir o dinheiro em um novo negócio, isso sufoca todo o cenário de empresas e de oportunidades aos profissionais.

Contudo, ainda hoje em dia em nosso país existem privilégios políticos e econômicos que tentam empurrar os grandes investidores a ganhar dinheiro a base de juros, o que tem sido chamado de “rentismo”.

Os profissionais interessados em abrir um novo negócio devem ter um olhar crítico para isso e devem se contrapor a esse contexto, pois o rentismo dificulta a oportunidade para a economia real, ou seja, para a produção e o trabalho verdadeiros.

Pensando em virar esse jogo, as propostas de Ciro Gomes têm destacado a necessidade de valorizar no Brasil quem trabalha e produz, indicando como fazer para que a economia favoreça a oportunidade de empreender e de gerar novos empregos.

Preste atenção nos produtos e serviços que você vende ou pretende vender e, principalmente, na relação deles com uma cadeia global de produção. Quem são os produtores desses bens ou dos materiais aos quais você precisa ter acesso para trabalhar? Há produção brasileira? E, se houver, ela é mais barata ou mais cara do que importar? Como o seu negócio poderia ser se esses bens fossem produzidos no Brasil, ao alcance mais fácil e barato, ou mesmo se fossem produzidos em sua empresa?

Observe o micro (seu negócio, seu trabalho) e o macro (o comércio exterior, a produção nacional e internacional) para ter uma noção real do seu trabalho e de sua empresa na economia e entender seus caminhos.

4) Em todas as situações, não tenha medo de projetar seus passos profissionais!

Projetar significa ter uma visão de seu caminho profissional, baseada em um diagnóstico de como você e/ou sua empresa se encontram hoje e de onde você pretende chegar em sua carreira ou em seus negócios.

Qual trabalho você pretende realizar daqui a 20 anos em sua vida? Quais são as perspectivas para sua empresa e seu negócio no futuro? Como a economia do Brasil e do mundo podem afetar positivamente ou negativamente suas expectativas e sonhos profissionais?

Refletindo sobre isso, você terá uma ideia melhor de suas metas pessoais e dos prazos para elas. E, mais do que isso, você terá uma ideia de qual cenário econômico e político a sociedade e o seu país precisam construir para possibilitar esse caminho.

Pense bem: não é culpa exclusiva sua ou castigo divino se ainda não estiver empregado ou se não estiver no emprego de seus sonhos, pois milhões de pessoas estão nessa mesma situação no país.

Olhe para além do indivíduo e você verá que, como país, temos ainda muito o que melhorar para valorizar nossos profissionais e para dar mais boas oportunidades a eles e aos empreendedores.

Retire o olhar só de si mesmo e você verá que é a política que está falhando, mas nós podemos consertá-la e superar os problemas.

Lembre-se: indivíduo e sociedade prosperam juntos!

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