A (falta de) humanidade dos soberbos


Por Solon Sampaio

O episódio protagonizado pela primeira-dama do Estado de São Paulo, Bia Doria, e pela socialite, Val Marchiori, evidenciou, mais uma vez, o quanto a nossa elite social é, em grande parte, soberba, asquerosa, e não pensa em nada além de manter seus privilégios e poder. Expressando com deboche o asco que sentem por desabrigados, Bia Doria e Val Marchiori tentaram, sem sucesso, usar o argumento higienista. Defenderam que seria benéfico se a população deixasse de dar comida aos desabrigados porque, segundo elas, isso tornaria a rua menos atrativa a eles.

Nossa elite foi forjada historicamente na base de privilégios sistêmicos. É óbvio, por exemplo, que tornar o nosso sistema tributário mais progressivo contribuiria não só para redução da desigualdade como para o desenvolvimento do país. É inexplicável, portanto, que esse modelo regressivo de tributação se mantenha por tantos anos. A única razão lógica para sua perpetuação é o fato de os abastados não quererem compartilhar os ganhos. Preferem manter e até mesmo intensificar o poder que exercem sobre o povo a proporcionar redução da desigualdade social que assola o país.

Pode parecer não haver relação entre o episódio mencionado no início do texto e o exemplo relatado no parágrafo anterior, mas reitero que, guardadas as devidas proporções, eles estão, sim, relacionados. Pois esse episódio expressa de forma caricata o que a nossa elite social pensa sobre o povo. Quando esse pensamento encontra um cérebro incapaz de filtrar o que se pensa do que se diz, acaba produzindo diálogos asquerosos como o das madames, eventos que fazem saltar aos olhos a divisão de classes.

Para reverter tal situação e viabilizar eleitoralmente um Projeto Nacional de Desenvolvimento, que encerre esse status quo, é preciso saber explorar as oportunidades concedidas pelos membros da elite desprovidos de inteligência para conscientizar o povo, principalmente a classe média. Deve-se, diante desse tipo de evento, evidenciar, através de uma comunicação que anule a influência midiática consumista imposta à população, que ela está sendo “legalmente assaltada”.

Vamos à luta!