Eleição Primária: a saída para escapar da polarização em 2022


Por Rafael Mendonça Rocha Barros

É axiomática a polarização entre as figuras de Lula e Bolsonaro para as próximas eleições nacionais. Juntas, tais figuras drenam 71% das intenções de voto no momento atual, o que torna inverossímil a hipótese de uma terceira candidatura isolada lograr êxito na disputa. Os dois principais símbolos da direita e da esquerda no Brasil mantêm uma relação simbiótica que nos coloca em uma situação periclitante, pois interdita qualquer debate sobre as questões centrais para a nação, a saber:

  1. desemprego;
  2. informalidade;
  3. endividamento;
  4. concentração de renda;
  5. desindustrialização;
  6. degradação ambiental;
  7. inflação;
  8. educação;
  9. violência;
  10. saúde.
POLARIZAÇÃO E FRAGMENTAÇÃO DO CENTRO: A TRAGÉDIA BRASILEIRA

A despeito da referida polarização, há um consenso tácito entre os mais ponderados, que ainda acredito representarem a maioria da população, de que seria melhor para o país a eleição de um terceiro candidato distante dos dois extremos, o que tem sido chamado pela imprensa de terceira via.

Entretanto, nenhum daqueles que poderiam ocupar essa posição conseguiu até o momento se mostrar suficientemente competitivo para atrair os votos dos eleitores ainda dispersos nas discussões eleitorais.

Penso que uma parte do problema se deve à excessiva exposição das figuras Lula e Bolsonaro na imprensa, o que interdita a exposição de qualquer outro nome, e outra parte se deve à falta de unidade entre aqueles candidatos de centro que pleiteiam a posição de terceira via.

Todavia, o centro não é uma unidade natural e aqueles que pleiteiam a posição de terceira via não querem abrir mão da disputa, seja por vaidade ou porque realmente acreditam que podem vencer.

A despeito disso, me parece patente a conclusão de que não resistiremos aos polos se o centro se fragmentar. Esse é o ponto que motiva minha escrita e sobre ele eu gostaria de oferecer uma sugestão.

BUSCANDO UMA SAÍDA

A sugestão consiste na formação de um consórcio entre os pré-candidatos e os partidos de centro para a realização de votações prévias e escolha pelo povo de um nome de consenso, o qual receberia de forma imperiosa o apoio de todos os demais nomes e partidos do consórcio.

Tal ação seria uma solução para os dois problemas descritos anteriormente, pois, a realização de primárias deslocaria as atenções da imprensa para os nomes do centro, diminuindo a exposição das figuras Lula e Bolsonaro.

Além disso, ao final da disputa, os partidos estariam unidos em torno de um único nome, o que fortaleceria de maneira expressiva o candidato da terceira via para a eleição oficial.

As primárias serviriam também para antecipar as discussões menores que dividem, hoje, os partidos e pré-candidatos de centro, facultando ao povo o poder de resolvê-las antes das eleições. Para que, no momento da disputa oficial, todos os brasileiros ponderados estejam unidos em uma única frente democrática contra os extremos de Lula e Bolsonaro, e em favor de um projeto que dê centralidade às questões dramáticas enunciadas no início do texto.

PODEMOS SER UM EXEMPLO CIVILIZATÓRIO PARA O MUNDO

Sei que não há previsão na legislação eleitoral brasileira para realização de primárias nos moldes do que ocorre nos EUA, por exemplo. Contudo, acredito que é possível, com a união dos partidos e a colaboração da imprensa, a definição de estratégias para realização da campanha e dos debates sem infringir a legislação vigente, em especial, a proibição de propaganda extemporânea.

Quanto ao sistema de votação, poderia ser realizado por aplicativo associado a um pré-cadastro dos eleitores, nos moldes do que ocorre com os aplicativos de bancos digitais, para garantir a unicidade e identidade dos registros.

Este artigo é uma tentativa de um brasileiro anônimo contribuir com o seu país, pois acredito que temos todas as condições necessárias para sermos melhores amanhã do que somos hoje. Acredito que podemos ser um exemplo civilizatório para o mundo.

Mas, para isso, precisamos da política, e nela temos falhado miseravelmente nos últimos anos. Por isso, peço a todos aqueles que lerem este artigo que julguem a pertinência das minhas sugestões e, no caso de encontrar relevância, leve-as adiante, para formarmos uma corrente de opinião em torno desta ideia.

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