Dino se entrega ao abraço de urso petista


Por Ícaro Silva Melo

No dia 24 de maio, Luciana Lima publicou um artigo no jornal Metrópoles sobre a tão em voga frente ampla. Desta vez trouxe um fato novo. Flávio Dino (PCdoB) agora se apresenta como um integrante da “esquerda lulista”. Depois de tanto tempo em cima do muro, o governador maranhense toma posição logo após o tuíte de Lula.

Dino falou abertamente sobre o cenário político dentro do campo progressista. Repetiu muitos clichês usados pela blogosfera petista. Classificou as atitudes de Ciro e Marina como mágoas pessoais e disse ser preciso superá-las para fazer o diálogo necessário na conjuntura atual.

Impressiona que um quadro do porte de Flávio Dino repita um discurso tão desqualificado. Soa inadequado à sua capacidade intelectual e política.

Quando Dino se candidatou ao governo do Maranhão e foi sabotado pelo PT, ele agiu magoado? Quando apoiou Aécio no segundo turno em detrimento de Dilma, estava magoado? Uma coisa é certa: seu objetivo de ganhar o governo maranhense foi mais importante do que as formalidades exigidas pela “esquerda lulista”. E não há nada demais nisso, derrubar a oligarquia dos Sarneys foi uma conquista para o Maranhão.

Porém, em 2010, Ciro também levou uma canelada. O PT tratorou o lançamento de sua candidatura à presidência, apoiando a chapa Dilma-Temer. Ciro avisou, mas foi apontado como um homem magoado (incrível como não mudam o argumento). No entanto, isso não o fez apoiar o candidato adversário. Ele se manteve firme e defendeu a candidatura de esquerda, independentemente das “mágoas”.

Para Flávio Dino, as visões dos principais quadros da esquerda brasileira convergem bastante. Por isso, seria importante deixar os atritos no passado, pensando no melhor para o Brasil. Nada mais falso.

Se Marina, Ciro, Haddad, Lula e Dino se sentassem à mesa para discutir os destinos do país, haveria muitas divergências. Ciro as deixou suficientemente claras: não propõe nova constituinte, independência do Banco Central nem alianças com a quadrilha do centrão. Será que Dino permitiria a volta dos Sarneys ao governo do Maranhão se o PT pedisse?

É triste ver o papel ao qual Flávio Dino vem se submetendo. Mas, para não criarmos cismas com o PCdoB, é importante frisar que essa posição não é uníssona dentro do partido. O próprio governador destacou Orlando Silva como um quadro que defende a autonomia dos comunistas em relação ao PT. Um importante quadro, de fato. Articulou a aliança com PDT e PSB no início do governo Bolsonaro para a eleição do presidente da Câmara.

Homem calejado, atento às armadilhas políticas que o PT gosta de fazer, Orlando Silva já ressaltou essa característica ao se referir às sinalizações de Lula a Flávio Dino. Segundo Orlando, esses acenos podem ser um “abraço de urso” no PCdoB. Não foi o próprio PT que declarou que o partido não nasceu para apoiar e sim para ser apoiado?

O diálogo com o PCdoB é necessário e pode ser mais frutífero. Porém, o bloco trabalhista não cederá às exigências desta esquerda.

Vamos ver o prevalecerá no final desta história.