Dia do Trabalhador e o legado de Getúlio Vargas


Por Luiz Medeiros

O primeiro de maio repetidamente me faz refletir sobre como fazer a defesa do legado de Getúlio Vargas. Por maior que fosse a crença dele na ciência ou por maior que seja a tentativa do liberalismo de chamar suas proposições de regras naturais ou de ciência. A realidade, tornada evidente com o auxílio da ciência, só mostra uma coisa: nada está imune às longas garras da ideologia.

Defender o legado de Vargas nesse primeiro de maio talvez seja mirar as armas para a defesa das relações formais de trabalho. A COVID-19 desvelou pra quem é estúpido (aquele que revela ausência de inteligência) que insegurança jurídica não garante nada a ninguém, não significa avanço nenhum. A eficiente destruição das relações formais de trabalho se funda numa base hoje sólida, mas de interior volátil: A consecutiva vitória na disputa pela hegemonia.

Diferentemente do velho Gegê, o estado nacional nas mãos do lulopetismo tinha uma base cognitiva que desviou a real função do estado nacional. Ancorado na nossa história, afirmo: se usada como instrumento, a conciliação de classes nunca será um problema. Sob o Estado Novo, o estado era compreendido como vanguarda da sociedade, ele inaugurou e estruturou a cidadania através do trabalho. Sob o lulopetismo, o estado se tornou um mediador de interesses e nada mais, como alguém que dá pitaco numa negociação. Para quem é estúpido (remeto à definição acima), explico a lógica: Davi não tem como negociar com Golias.

Na derrocada do Consenso de Washington a la Macunaíma (o herói que dá migalhas aos pobres e lucros históricos aos bancos), a sociedade brasileira, despolitizada por uma narrativa maniqueísta, vê a salvação para as suas mazelas no discurso que propõe que somos todos iguais e que as regulamentações estatais atrapalham a organização “natural” do mundo do trabalho, caindo diretamente nas garras daqueles que só visam a exploração irrestrita da mais-valia. Como resultado, o trabalho/hora, que antes valia alguma soma vergonhosa, hoje vale ainda menos com a validação, cada vez maior, de ideias que colocam uma das mais valiosas armas do trabalhador na mão de Golias. Pra quem é estúpido: O Estado Nacional.

Defender o legado de Getúlio Vargas, nesse primeiro de maio, é, então, defender um projeto nacional que resgate uma concepção de estado que haja a mínima correspondência com o estado nacional que historicamente proporcionou progresso social, progresso moral e cidadania. Defender o legado do trabalhismo é apoiar e colaborar com o trabalho das referências morais e intelectuais que carregam esse projeto e que dão o exemplo do seu sucesso, sem se restringirem a ser meros transformadores de goela. Pra além de maquiar dado pra fingir que o Brasil pôde algum dia ser uma sociedade de classe média, uma sociedade que distribui renda, devemos encampar as trincheiras da batalha pelo desenvolvimento das nossas forças produtivas para fins de fazer uma distribuição real e profunda de riqueza, numa democracia de alta energia com um estado nacional que promova a cidadania e seja aliado dos interesses da classe trabalhadora. Por isso, hoje eu boto o retrato do velho e boto no mesmo lugar.

Como diz o poeta: É a luta de classes, estúpido!

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