Complexo Industrial da Defesa no desenvolvimento do Brasil


Por Plínio Tenório

O desenvolvimento científico e tecnológico tem sido uma das principais ferramentas de desenvolvimento socioeconômico de muitos países. No Brasil temos o exemplo do Vale do Paraíba paulista, região historicamente marcada pela instalação de um centro de desenvolvimento de tecnologia e formação de recursos humanos, Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), fundado na década de 1940.Os avanços científicos e tecnológicos associaram-se a um grande ganho social. Dentre as 20 cidades com melhor qualidade de vida do país, em 2020, duas estão na região e o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) regional, em 2015, estava entre os cinco maiores do país. Além disso, a área conta com diversas empresas, instituições de ensino e pesquisa que colocam o Brasil na elite mundial em áreas como defesa e aeroespacial.

Em grande parte, essas conquistas são resultado da participação estatal, seja pela formação de profissionais, envolvimento direto de instituições públicas ou no financiamento governamental. Entretanto, desde a crise econômica e política de 2014, o governo brasileiro tem atuado com um verdadeiro sabotador, retirando seu protagonismo natural do setor.O ápice foi a aprovação da compra da Embraer pela americana Boeing, mesmo com parecer contrário da Força Aérea Brasileira, que indicava prejuízo à soberania do estado brasileiro e que era um mau negócio inclusive para a Embraer. Além disso, houve os baixos ataques aos profissionais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que culminou na saída do último diretor eleito do instituto.

Evidentemente, o comportamento da gestão federal atual só agrava os problemas deixados pelos governos passados, como, a falta de reposição de servidores dos institutos de pesquisa, a paralisação ou atrasos de projetos importantes, a emenda 95 (que impõe a queda significativa nos investimentos para C&T&I governamental), entre outras. É nesse contexto que a maior crise sanitária e econômica da história apresentou-se. As mortes por COVID-19 passam de 110 mil e as projeções do PIB são de queda de até 8%.

Sendo assim, torna-se urgente e necessário a união do povo brasileiro em torno de um projeto político que proteja e preserve esse parque tecnológico e industrial essencial para o país, como o projeto do Ciro Gomes, apresentado no livro Projeto Nacional: O Dever da Esperança. Se não pela preservação da soberania nacional, que deveria ser nosso desejo natural, ao menos que seja em consideração ao dinheiro público já investido.

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