Como conversar com bolsonarista


Por Ed Angelis

Primeiro precisamos entender que há vários perfis de entre os que defendem o governo, e para conversar com um bolsonarista precisamos agir de acordo com cada um desses perfis. Os que eu consigo reconhecer são:

Os Evangélicos (infelizmente maioria e mais difíceis de diálogo)
Os Revoltados (só queriam mudança, sem se dar conta que a mudança pode vir pra pior)
Os Torcedores (a grande maioria é daqueles que troca de time quando o time perde)
Os Empresários (claro que aqui estou falando do Pequeno e do médio)
Os Saudosistas (toda pessoa de mais idade sempre acha que antigamente o mundo era melhor)
Os Cooptados (quase sempre humildes que foram na onda, levados por pessoas próximas ou apenas pela avalanche de informação geradas)

Listei-os apenas para exemplificar. Entendo que tal lista deve ser aprofundada, com certeza existem outros perfis e até combinações entre esses que citei. O importante é identificar com quem você está falando para não perder tempo falando A quando a pessoa só entende B.

A vantagem que temos é que o discurso é sempre muito homogêneo, desde o feirante até o aluno  ou mesmo professor universitário, como eu já presenciei. É sempre o mesmo entre todos os defensores. Em outros tempos, a grande maioria não ousaria debater política, devido a falta de conhecimentos e de instrução, mas foi dada a eles o treinamento e as armas para o debate com frases feitas, desconexas e sem embasamento nenhum. Então quando estiver tentando conversar com bolsonarista, não se apegue tanto a rebater as frases feitas, tente levar a discussão para outro campo, mude o terreno para um da qual ele não foi treinado, e traga a discussão para onde realmente importa.

E lembre-se: o objetivo não é vencer um debate, não é sair vitorioso. Se imediatamente conseguir mudar a visão de alguém, meus parabéns, mas não se sinta frustrado se não conseguir, e é o que vai acontecer na maioria das vezes. Mas o objetivo é plantar uma semente de luz e tentar ganha-lo na persistência. Muitas vezes a pessoa vai se exaltar, levantar a voz, nessas horas lembre-se de não lutar no campo do adversário, pois é tudo o que eles querem. Jamais se exalte ou discuta, tente dialogar e acalmar os ânimos. Se o diálogo não for mais possível, não se frustre, e jamais saia com alguma desavença, pelo contrário, jamais deixe de ser gentil com a pessoa, mostre a ela que você não é um inimigo.

Falo essas coisas todas pois estamos perdendo feio essa guerra, depois de um ano e meio dos mais absurdos desatinos, Bolsonaro ainda mantém 35% dos apoiadores. 2 anos antes das eleições de 2018 ele não tinha sequer 1 terço disso, e não tinha a máquina do governo a seu favor. Vamos parar de subestimá-los, ninguém nunca acreditou que ganhariam, e ganharam quase no primeiro turno. Agora parece que estão todos quase certos de que não termina o mandato, eu digo que, se não quisermos ter 8 anos dessa tragédia, temos que esfarinhar o apoio dele, e mesmo que ele não termine o mandato, se ele é impedido com um apoio tão grande, ele irá sair como vítima e o confronto irá continuar, e o perigo do fascismo continuará nos rondando.

Então precisamos urgentemente aprender a lutar essa guerra, e, para começar, vamos deixar de ser levados para lutar no campo deles. Ao conversar com bolsonarista, se falam de aborto, vamos falar de empregos; se falam de homossexualidade, vamos falar de saneamento básico; se falam do PT, vamos falar do futuro: falemos do nosso projeto nacional de desenvolvimento.

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