Ciro vs. Haddad: 32 motivos pelos quais vou votar em Ciro Gomes


Antes de mais nada, devo dizer que acho Fernando Haddad um grande quadro, extremamente inteligente, e tenho muita simpatia por ele. Entretanto, diante do embate progressista Ciro Gomes vs. Haddad, tenho visto muitos amigos em dúvida em quem votar no 1º turno. Depois de muito tentar convencê-los de que Ciro Gomes é o candidato mais preparado, resolvi escrever um texto, explicando por que penso assim.

Elaborei uma lista com 32 motivos:

1. Ciro é o único que vence Bolsonaro. De acordo com a última pesquisa Datafolha, divulgada em 20.09.2018, Ciro é o único candidato que vence Bolsonaro no 2º turno (45% x 39%). Haddad empata em 41%. Por outro lado, a rejeição de Haddad está em ascensão (29% pelo Ibope, 2ª mais alta), e não há garantia de que ele poderia vencer. Com Haddad, o clima de extremismo, polarização e antipetismo vai aumentar, e muitos eleitores podem migrar para Bolsonaro, como já estão fazendo. Ciro, no 2º turno, apresenta menos riscos e mais chances de vitória.

2. Rejeição menor de Ciro. Dentre os candidatos competitivos, Ciro tem o menor índice de rejeição (19%, atrás de Bolsonaro, Haddad, Alckmin e Marina), o que lhe possibilitaria derrotar Bolsonaro sem ter que abrir mão das bandeiras progressistas para angariar apoio. Já Haddad enfrentaria forte antipetismo e provavelmente teria de moderar o tom e fazer concessões, a fim de conquistar aliados, como o próprio PSDB. Haddad já começou a fazer acenos ao mercado financeiro, voltando atrás em propostas inicialmente divulgadas em seu plano de governo.

3. Campanhas fantasiosas do PT. O histórico do PT mostra que o partido é capaz de qualquer coisa para ser eleito. Normalmente a campanha petista constrói um cenário fantasioso, e, ao chegar ao poder, adota uma agenda oposta, de direita. Foi o que Dilma fez após ser eleita em 2014. Por outro lado, Ciro demonstra consistência na defesa de pautas progressistas em toda sua carreira política, sustentando – pelo menos desde 2002 – um projeto nacional de desenvolvimento que apresenta ideias concretas para superar o atraso econômico e a desigualdade social.

4. Manobra do PT contra Marília Arraes. O PT continua praticando manobras sorrateiras em nome do pragmatismo: em troca da neutralidade do PSB (para retirar alguns segundos de Ciro na TV), o PT retirou a candidatura de Marília Arraes (PT) ao governo de Pernambuco. Marília estava há dois anos mobilizando a militância e se preparando para as eleições. As pesquisas indicavam que ela tinha boas chances de vencer Paulo Câmara (PSB), atual governador.

5. Apoio do PT a golpistas em diversos estados. Em razão disso, o PT de Pernambuco foi obrigado pela Executiva Nacional a se aliar com Paulo Câmara. Este último, para quem não sabe, atuou ativamente pelo impeachment de Dilma Rousseff. Em outras palavras, após denunciar o “golpe”, os petistas se aliam com os golpistas. O PT também está aliado com Eunício Oliveira (no Ceará) e Renan Calheiros (em Alagoas), ambos do MDB. Haddad faz campanha abraçado e tecendo elogios a eles. Sobre Renan pai e Renan filho, por exemplo, Haddad disse: “são amigos da democracia”.

6. Ciro vs. Haddad – combate ao golpe. O PT indicou Temer como vice de Dilma em 2010 e em 2014. Ciro já criticava a indicação de Temer antes mesmo dela ocorrer. Em 2010, Ciro chamou o comando do PMDB de “ajuntamento de assaltantes” e disse que Temer (à época presidente do PMDB e da Câmara dos Deputados) chefiava essa “turma de poucos escrúpulos”, dando as cartas a Eduardo Cunha. Após a segunda vitória de Dilma, em 2014, Ciro voltou a criticar a indicação de Temer, e previu que o impeachment ocorreria, caso Dilma não impusesse limites ao PMDB. Posteriormente, Ciro largou o emprego bem remunerado na iniciativa privada para combater a escalada do impeachment. Em 2015, Ciro já chamava Michel Temer de “capitão do golpe”. Foi à televisão inúmeras vezes, incluindo aquela em que criticou a carta escrita por Temer a Dilma (episódio que acabou virando meme). Ciro ajudou a mobilizar votos contrários no Congresso e continua firme denunciando o golpe. Já Haddad, nas vésperas do impeachment, em agosto de 2016, deu uma declaração afirmando: “Golpe é uma palavra um pouco dura, que lembra a ditadura militar. O uso da palavra golpe lembra armas e tanques na rua”. Só depois Haddad mudou de ideia e passou a usar a palavra golpe.

7. PT quer Assembleia Constituinte. Apesar de estar aliado com “golpistas” em diversos estados, o plano de governo de Haddad afirma que “o golpe aprofundou a crise de representação política” e provocou o desequilíbrio nas instituições republicanas. Por isso, o plano de governo defende a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. O PT, desmoralizado do jeito que está, acha mesmo que é capaz de mobilizar uma assembleia constituinte nos dias de hoje? E, principalmente, com os parlamentares que temos? Acredito ser apenas um indício de que o partido não está preocupado em pacificar o país, mas apenas em defender interesses sectários.

8. Campanha messiânica de Lula vs. discussão de um projeto. O PT sabia desde o início que Lula era inelegível pela Lei da Ficha Limpa e seria barrado pela justiça. Apesar disso, o partido entrou em uma espiral e construiu uma candidatura messiânica em torno do culto à imagem do ex-presidente. O debate em torno de ideias para solucionar a crise do país foi deixado de lado em nome da cruzada petista para gerar comoção social. Ciro, a seu turno, dedicou os últimos 3 anos percorrendo universidades no Brasil e no exterior (Harvard, Oxford, Montpellier, Sorbonne, ESADE-Barcelona) discutindo um projeto de país. É o projeto que ele apresenta nestas eleições, fruto da reflexão de 38 anos de vida pública e 2 eleições presidenciais já disputadas.

9. Haddad chegaria fraco. Caso seja eleito da forma que foi sua campanha, desconhecido pela maior parte da população, Haddad deve chegar enfraquecido para governar e para fazer reformas que o país precisa. Por outro lado, Ciro tem feito uma campanha propositiva, e suas propostas têm pautado o debate eleitoral. Assim, a vitória de Ciro representaria a chancela de um projeto submetido ao crivo do debate público, e não o resultado de uma estratégia eleitoreira de transferência de votos, e, depois, um discurso folclórico de combate ao fascismo.

10. Capital político de Haddad (inexistente). Assim como Dilma em 2010, Haddad não tem capital político próprio que lhe possibilite ser eleito presidente por conta própria. Seus votos foram construídos pela comoção criada em torno de Lula. Haddad ainda é um desconhecido para a quase totalidade do país. A eleição de um presidente nessas condições, na base do dedaço de última hora, produz um processo democrático debilitado, e enfraquece a crença, daqueles que foram derrotados, de que a vitória ocorreu de forma legítima.

11. Projeto de poder do PT. A campanha do PT abusou da boa-fé do eleitor pobre, que tem simpatia por Lula, enganando e fazendo crer que Lula poderia ser candidato. Embora seja direito do PT adotar a tática que lhe convém, essa estratégia não é saudável para o país, especialmente no atual contexto de fratura democrática, em que o Brasil vive a maior crise econômica da história e precisa discutir ideias concretas para tirar o país do atoleiro. O egoísmo e o projeto de poder falaram mais alto.

12. Ciro = campanha propositiva = ideias copiadas. Desde o início Ciro se comprometeu a fazer uma campanha propositiva. Tanto é assim que muitas ideias foram apresentadas pela primeira vez por ele, e passaram a ser copiadas pelos demais candidatos. Dentre as propostas apresentadas por Ciro e copiadas, destacam-se: a simplificação dos impostos (criação do IVA), a tributação de lucros e dividendos, o aumento da alíquota sobre grandes heranças, a eliminação do déficit público em 2 anos, a revisão do pacto federativo (dando maior autonomia a estados e municípios), a capitalização da previdência, com um regime híbrido de transição, e a criação de um sistema nacional de segurança pública. O programa Nome Limpo (renegociação das dívidas do SPC), de Ciro, foi copiado pelo PT e virou o Programa Dívida Zero. O PT também copiou de Ciro a proposta de federalizar a investigação dos crimes de organização criminosa.

13. O peso da experiência e clima de antipetismo. A longa experiência política de Ciro e sua capacidade de dialogar com diferentes espectros são enormes diferenciais no atual contexto. Os próximos anos vão exigir uma incrível capacidade de negociação para promover mudanças constitucionais que demandam aprovação de 2/3 da Câmara e do Senado. A direita deve eleger uma bancada ainda maior neste ano, dificultando a margem de manobra de um governo petista. A provável necessidade de adoção de medidas impopulares para reversão do déficit público pode rapidamente desgastar a imagem do presidente. A falta de experiência política de Haddad e o clima de antipetismo podem gerar um Congresso reativo, repetindo o drama político vivido no governo Dilma.

14. A agenda de austeridade como única forma de sobrevivência do PT. É possível que um eventual governo do PT só consiga sobreviver cedendo à agenda de austeridade e fisiologismo, como aconteceu com Dilma. Por outro lado, acredito que Ciro teria maior capacidade de resistência, considerando que não enfrenta a rejeição dos petistas, possui mais experiência e mais capacidade de diálogo com diferentes espectros.

15. Ciro vs. Haddad – currículo político. Quando comparado a Haddad, o currículo político de Ciro se destaca. Haddad foi Ministro da Educação por sete anos (nos governos Lula e Dilma) e Prefeito de São Paulo. Já Ciro foi deputado estadual duas vezes (de situação e de oposição), prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, Ministro da Fazenda no governo Itamar (onde ajudou a criar o plano real), Ministro da Integração Nacional no governo Lula (onde ajudou a fazer a Transposição do Rio São Francisco), Deputado Federal e Secretário de Saúde do Estado do Ceará. A extensa biografia de Ciro lhe dá credencial e revela capacidade para navegar em uma conjuntura tão complexa como a atual.

16. Ciro vs. Haddad – aprovação nas gestões. Haddad deixou a Prefeitura de São Paulo com pior avaliação dentre as capitais, com aprovação de apenas 16% pelo Vox Populi, ou 14% pelo Datafolha. A reprovação da sua gestão atingiu 48% pelo Datafolha. Por outro lado, Ciro deixou o governo do Ceará como o mais bem avaliado entre 12 estados pesquisados pelo Datafolha naquele ano, com 74% de aprovação. Quando deixou a Prefeitura de Fortaleza, Ciro era o melhor avaliado de todas as capitais com 77% de aprovação, também pelo Datafolha.

17. Sucesso em eleições nos redutos. Nas eleições de 2016, quando Lula ainda estava solto e fazendo campanha ativamente para a reeleição de Haddad na Prefeitura de São Paulo, Haddad conseguiu perder no 1º turno, em votação expressiva a favor de João Dória (53,29% x 16,70%). Haddad perdeu em todas as 58 zonas eleitorais. Perdeu até mesmo para brancos e nulos. Já Ciro nunca perdeu nenhuma eleição que disputou no Ceará, tampouco quando apoiou seus aliados.

18. Antipetismo, direita, polarização e eleições em 2022. O antipetismo é tão forte que um governo do PT, nesse momento, seria incapaz de pacificar o país. Pelo contrário, é provável que um novo governo petista cause ainda mais polarização, fazendo com que a direita e o conservadorismo a voltem ainda mais fortes em 2022. É preciso dar uma trégua nesse ambiente de polarização. Ciro vem se mostrando bastante firme no combate ao fascismo e obscurantismo, ao mesmo tempo em que tenta dialogar e provocar reflexão no eleitorado revoltado com a política, construindo pontes e reafirmando a importância da convivência democrática.

19. Ativismo do Judiciário, MP e disfunções institucionais. O momento atual é marcado pelo enfraquecimento do Executivo e a desmoralização de Legislativo, em razão dos escândalos de corrupção que foram revelados. O vácuo político foi ocupado pelo crescente ativismo do Judiciário, do Ministério Público e dos órgãos de controle. Esses atores, apesar de muitas vezes imbuídos de boa-fé, frequentemente atuam extrapolando suas competências ou violando a própria legislação. Também ocorrem abusos nas ações de improbidade, num contexto de criminalização da política e crescente punitivismo. Tudo isso vem gerando paralisia da Administração Pública e insegurança jurídica. Dentre os candidatos, apenas Ciro vem criticando essas questões de forma contundente, e se propondo a corrigir as imperfeições. E de tanto bater nessa tecla, só ele tem levado bordoada. Acredito que a volta do PT ao poder, após a Lava Jato, não encerraria esse caos institucional, mas apenas aprofundaria, com o recrudescimento do Judiciário do Ministério Público.

20. O PT acostumou-se ao poder. O PT foi eleito nas últimas 4 eleições presidenciais. Acostumou-se com o poder. Será saudável para a democracia que o PT não seja eleito e haja alternância de poder. Só assim o partido poderá refletir sobre os erros que cometeu quando esteve no poder, e o país poderá experimentar novas lideranças políticas.

21. Tudo gravita em torno do PT. Os partidos da esquerda sempre gravitaram como satélites em torno do PT. A saída de cena petista seria importante para reorganização das forças políticas, não só da esquerda, mas de todos os partidos. Na esquerda, seria aberto espaço para protagonismo de outras siglas, como PDT, PCdoB e PSOL. Pela primeira vez, na própria direita, o MDB (de Temer, Jucá, Renan e companhia) iria para oposição. Na ausência do MDB, o Centrão poderia se reorganizar e ocupar espaço, assumindo quem sabe uma nova linguagem com lideranças mais jovens e menos inescrupulosas.

22. PT e PSDB: monopólio da política nacional. O PT e o PSDB vêm monopolizando a política nacional desde 1994, sempre contando com o auxílio do MDB, que se manteve na base governista por meio de fisiologismo. Se os eleitores querem renovação, está na hora de eleger uma alternativa. Ciro já disse reiteradamente que a quadrilha do MDB será oposição em seu governo, e que vai atuar para destruir esse partido pelas vias democráticas, fechando as torneiras da corrupção.

23. Petrolão – ausência de autocrítica. Confrontado no Jornal Nacional, Haddad mostra que o PT não quer fazer qualquer autocrítica diante dos escândalos de corrupção e loteamento da Petrobras. O petista apenas afirma que o PT fortaleceu os mecanismos de corrupção que existem hoje, e que a corrupção da Petrobras existe desde os tempos da ditadura. Já Ciro tem 38 anos de vida pública e nunca respondeu por qualquer tipo de investigação por desvio moral, corrupção ou improbidade administrativa. No seu governo, todos os Ministros e funcionários comissionados assinarão um compromisso de se afastarem dos cargos em casos de suspeitas e denúncias de irregularidades.

24. Desastre do governo Dilma – esqueceram dela. O PT não faz autocrítica sobre o governo de Dilma. Ao contrário, atua para escondê-la. O PT quer atribuir a culpa de tudo a Temer, como se o caos econômico não tivesse iniciado no primeiro governo de Dilma. Depois de reeleita, Dilma ainda indicou Joaquim Levy para o comando do Ministério da Fazenda, e continuou os cortes em educação, ciência e tecnologia e demais investimentos sociais. Ao contrário de Haddad, Ciro é contundente quando afirma que o governo de Dilma (embora seja ela uma pessoa honrada) foi um desastre político e econômico, fruto da escolha equivocada de Lula.

25. PT há 14 anos no poder e não promoveu reformas estruturais. Apesar de ter feito programas sociais importantes, que ajudaram na eliminação de desigualdades sociais, o PT governou o país por quase 14 anos, e não promoveu reformas estruturais que o país precisava para ter um crescimento sustentável e reduzir ainda mais a desigualdade social, tais como reforma tributária (que desonerasse os mais pobres e a classe média, e tributasse os mais ricos), a ampliação da concorrência bancária e a redução da taxa de juros. Mesmo quando Lula tinha grande popularidade e apoio majoritário no congresso, as reformas não foram feitas. As reformas estruturais são bandeiras que Ciro defende desde os livros que escreveu na década de 90. Se o PT não fez enquanto esteve no governo, é mais ainda difícil que consiga fazer no atual contexto.

26. Lula vai governar da cadeia? Lindbergh Farias (PT) deu declaração que Haddad vai escolher os ministros “conversando com Lula”. Haddad já disse que Lula terá o papel que quiser em seu governo. Fica a pergunta: caso eleito, quem vai governar, Lula ou Haddad? Fica difícil acreditar que o país vai voltar à normalidade dessa forma.

27. Ciro vs. Haddad – educação. A contribuição mais significativa que Haddad deu ao país foi na condição de Ministro da Educação. Haddad ampliou o acesso à universidade, criou o ProUni, reformulou o FIES e o ENEM, dentre outras realizações. Porém, em matéria de educação, Ciro não fica em desvantagem: o Ceará possui o melhor ensino fundamental do Brasil (isto é, 82 das 100 melhores escolas pelo Ideb), e saltou de 12º para o 4º melhor ensino médio do país no último Ideb (seria o 1º, mas o governo federal sabotou esse indicador, ao retirar da medição as escolas de tempo integral profissionalizantes, que já correspondem a 1/3 das escolas do Ceará). A cidade de Ciro (Sobral-CE) tem a melhor escola pública de ensino fundamental do Brasil. O programa de Ciro prevê a expansão desse modelo para o Brasil, promovendo a requalificação do ensino, a estruturação da escola e a valorização do professor. Ciro também quer ultrapassar o recorde de Lula na quantidade de universidades federais abertas.

28. Embraer e Pré-sal. Ciro dá demonstrações claras de que é o candidato mais nacionalista de todos. Ciro foi o único presidenciável a se posicionar contra a venda do braço comercial da Embraer à Boeing, o que poderia representar uma enorme perda de tecnologia nacional, e uma ameaça à defesa e à soberania nacional. Ciro enviou cartas a ambas as empresas, solicitando que aguardassem o desfecho das eleições. Por outro lado, Haddad não se pronunciou publicamente sobre o assunto. Antes do episódio, enquanto preparava seu plano de governo, Ciro visitou a Suécia, onde cerca de 300 engenheiros brasileiros estão preparando a transferência de tecnologia dos caças Gripen para serem fabricados no Brasil, pela Embraer, por meio de um acordo histórico obtido pelo governo brasileiro com a Suécia. O complexo da defesa é um dos motores do programa de Ciro para retomar a reindustrialização, por meio de políticas de encomendas tecnológicas. Além disso, Ciro também foi o único candidato a se manifestar publicamente afirmando que retomaria (com as devidas indenizações) os campos de pré-sal leiloados a preço de banana a empresas estrangeiras. Haddad não se pronunciou sobre o assunto.

29. PEC do teto. Ciro quer revogar a PEC do teto (PEC 95), enquanto Haddad fala em manter o teto de gastos, retirando dele os investimentos sociais. Ocorre que, dentro da contabilidade pública, muitos gastos do governo são considerados custeio, e não investimento. É o caso do financiamento de pesquisa e desenvolvimento na área de ciência e tecnologia, que continuaria limitado pelo teto de gastos na concepção de Haddad.

30. Reindustrialização do Brasil. Há pelo menos 3 anos Ciro vem divulgando um projeto nacional de desenvolvimento, que buscará a reindustrialização do país focando em 4 complexos industriais: (i) saúde, (ii) agronegócio, (iii) defesa, (iv) petróleo, gás e bioenergia. Tratam-se de setores importantes para a economia nacional, mas que grande parte dos insumos estão sendo importados, gerando empregos no exterior e causando déficit na balança comercial. Nos últimos 3 anos, 13,8 mil indústrias foram fechadas no Brasil. Portanto, a reindustrialização é um imperativo e tem centralidade no plano de governo de Ciro, afinal a indústria é quem paga os melhores salários para os trabalhadores. Entretanto, no plano de governo de Haddad, a reindustrialização recebeu atenção genérica em apenas 5 parágrafos. O plano econômico do PT é muito mais centrado em aumentar a oferta de crédito e restaurar o consumo das famílias, o que faz a economia girar, mas tem estímulo limitado na criação de riqueza nacional e no crescimento sustentável a longo prazo, isto porque não consegue superar a dependência da exportação de commodities e minério de ferro, o que torna o Brasil vulnerável a crises cíclicas, em razão da variação dos preços no mercado internacional.

31. A escolha de Kátia Abreu. Um assunto que costuma gerar controvérsia é a nomeação de Kátia Abreu para vice-presidente na chapa de Ciro. Sobre essa questão, é muito importante entender o contexto da escolha. O desejo inicial de Ciro era escolher alguém ligado ao PSB ou PCdoB, a fim de compor uma ampla frente progressista. Entretanto, o PT fez de tudo para isolar Ciro. No Maranhão, o PT ameaçou retirar o apoio a Flávio Dino (PCdoB) – chantageando apoiar os Sarney, como já fez antes –, e retirou a candidatura de Marília Arraes (PT) em troca da neutralidade do PSB. Não restou a Ciro outra alternativa senão buscar uma solução caseira. A aliança com Kátia Abreu tem a pretensão de complementar as visões de Ciro, na tentativa de construir pontes entre quem trabalha e quem produz, produzir consensos e diminuir a polarização. Vale lembrar que os eleitores ligados ao agronegócio (principalmente na região do Centro-Oeste) tendem a votar em peso em Bolsonaro, e é papel de Ciro dissuadi-los, como liderança política que é. Apesar de posições mais conservadoras em alguns assuntos, Kátia Abreu (PDT) tem posições firmes em aspectos relevantes: foi contra o impeachment de Dilma, foi contra contra o teto de gastos (PEC 95), contra a reforma trabalhista, e a favor de maior controle dos agrotóxicos pela Anvisa e Ibama. A senadora também já se posicionou favoravelmente à reforma agrária e à demarcação de terras indígenas. A presença de Kátia é importante, pois o agronegócio tem participação relevante no PIB brasileiro (23,5%), ajuda a fechar a conta da balança de pagamentos, e tem centralidade no projeto de reindustrialização proposto por Ciro. Vale lembrar, ainda, que antes do convite feito a Kátia Abreu, o plano de governo de Ciro já defendia a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente, especialmente no contexto do agronegócio. Por fim, a relevância de Kátia Abreu foi reconhecida pelo próprio PT, que recentemente a apoiou em sua candidatura ao governo do Tocantins.

32. Mulheres, negros e LGBTI. O programa de governo de Ciro é um dos que dedica maior espaço às mulheres, à população negra e à população LGBTI. Ciro dedicou 3 páginas às mulheres, 3 páginas a políticas para a comunidade negra, e 2 páginas à população LGBTI. Para efeitos de comparação, as mulheres são mencionadas 41x no plano de Ciro, e 34x no plano de Haddad; o combate ao racismo é mencionado 6x no plano de Ciro, e 4x no plano de Haddad; já a população LGBTI é mencionada 13x no plano de Ciro, e 20x no plano de Haddad. Vale lembrar que, quando foi prefeito (1989-90) e governador (1991-94), Ciro dividiu metade das secretarias com as mulheres. Ele promete fazer o mesmo nos Ministérios caso seja eleito presidente.

Esses são só alguns dos motivos me fazem optar por Ciro no 1º turno. Tem ainda muitos outros, que não couberam neste post. Como disse, Ciro tem projeto: estude, conheça, assista as palestras e sabatinas dele. Mais do que voto útil, Ciro Gomes é voto consciente.

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Caso você queira comparar os planos de governos de ambos os candidatos, pode clicar aqui: Ciro Gomes vs. Fernando Haddad.

Quer saber mais motivos para votar em Ciro Gomes? Então acesse esse artigo aqui: 65 motivos para votar em Ciro Gomes.

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Atualizações:

O post foi atualizado às 00h30 do dia 20.09.2018, para alterar o ponto 1 com informações mais recentes da pesquisa do Datafolha. As informações iniciais traziam dados da pesquisa Ibope divulgada em 18.09.2018.

O post foi atualizado às 12h30 do dia 21.09.2018, para incluir no ponto 15 a informação de que Ciro também foi Secretário Estadual de Saúde, bem como para incluir no ponto 6 informações sobre declarações dadas por Ciro em 2010 e 2014, relacionadas à indicação de Michel Temer como vice-presidente na chapa do PT.

7 Comentários

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  1. 1
    Nara

    Ciro, candidato de qualidade e competências únicas p vencer Bolsonaro. E possível polaridade BolsonaroxHaddad é muito boa para Bolsonaro… Ciro Gomes vai presidir realmente o Brasil, não vai simplesmente ser Presidente.

  2. 3
    André Zilioti

    Lucas fiquei muito feliz com a sua clareza política e senso crítico. Confesso que já havia ponderado diversos pontos que você colocou, mas de maneira passiva e não tão clara quanto a sua! Muito obrigado pela colaboração!!

  3. 5
    Alba Coelho

    O Currículo do. Ciro fala por si só; além de ter governado com maestria meu Estado tão amado, meu Ceará, acredito que o povo não esquecerá e saberá fazer a escolha certa para o momento atual.

  4. 6
    Deise Rodrigues

    Parabéns pelo resumo, Lucas! Todas as informações contidas no texto representam fatos analisados sob uma perspectiva objetiva e inteligente. Pena que estamos diante de um povo dividido pelo ódio que beira so fascismo e por uma ideologia que beira ao fanatismo. Quem dera estivéssemos em outro momento, para que a nossa sociedade pudesse agir com razão e escolher Ciro, o mais preparado…

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