Ciro Gomes e o Projeto Nacional: introdução ao debate


Por René Martins

Diante do debate raso, da massificação de notícias falsas, aliados à antipolítica e à cultura do cancelamento que tomaram conta da vida pública brasileira e culminaram com a tragédia em que vivemos, é fácil se deparar tanto na imprensa quanto nas redes sociais com muita desinformação e análises parciais em relação ao presidenciável pelo Partido Democrático Trabalhista, Ciro Gomes.

Sendo assim, é compreensível que na cultura política maniqueísta, caudilhista e demagógica do Brasil, um personagem complexo confunda os observadores mais desatentos.

Portanto, o objetivo da série de artigos iniciada com este texto introdutório é romper com esse paradigma de análise superficial dos atores políticos e explorar a trajetória política de Ciro utilizando como método os três pilares que ele estabelece para sua ação política: ideia, exemplo e militância.

IDEIA

No pilar da ideia, iremos mostrar o histórico da construção de seu Projeto Nacional. Ciro não é apenas um político, mas sim um pensador crítico, propositivo e original, que apresenta ao Brasil um projeto alternativo ao neoliberalismo que dominou o país.

Ciro, após os sequenciais anos de vida pública, foi estudar economia política em Harvard, onde trabalhou junto a Mangabeira Unger, com o qual publicou o livro: “O próximo passo: uma alternativa prática ao neoliberalismo”, tendo mais 3 livros publicados.

Em seu mais recente livro, “Projeto Nacional – O dever da esperança”, ele desponta como o único presidenciável da história do país a publicar um livro com seu programa de governo, procurando articular todas as forças sociais em torno de um projeto de país, generoso e abrangente, em que o Estado Nação terá o papel precípuo de coordenar as forças produtivas, capazes de impulsionar a Nação para o crescimento e o desenvolvimento.

É neste ambiente que pretende ajudar o Brasil a sair da múltipla tragédia em que foi lançado depois do fracasso neoliberal vigente desde a pós-redemocratização. Sempre impressiona a sua capacidade de antever os cenários políticos e econômicos, acertando, basicamente, todas as previsões requeridas nas questões nacionais.

EXEMPLO

Já no pilar do exemplo, exploraremos a atuação de Ciro nos cargos que ocupou. Ele iniciou a carreira ainda com 25 anos como deputado estadual no Ceará, sendo, no segundo mandato, líder do governo Tasso Jereissati, o qual ajudou a eleger.

Depois foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da fazenda no governo Itamar Franco (sendo Ciro, hoje, o único presidenciável a ter comandado a economia do país, quando alcançou o maior superávit primário da série histórica, recorde que ainda detém). Ciro Gomes também comandou o Ministério da Integração Nacional no governo Lula (tirando do papel a obra de transposição do Rio São-Francisco, desejo nascido, ainda com Dom Pedro II) e foi deputado federal. Na iniciativa privada já atuou como presidente da Transpetro e como diretor da CSN.

MILITÂNCIA

Por fim, no pilar da militância, o foco será no posicionamento do Ciro nos momentos mais importantes da história nacional: redemocratização, construção do governo Tasso Jereissati no Ceará, fundação do PSDB, impeachment de Fernando Collor, apoio ao governo Itamar Franco e ao Plano Real, saída do PSDB e oposição ao governo FHC, candidaturas presidenciais em 98 e 2002, pelo ex-PPS (atual Cidadania), participação no governo Lula, trajetória no PSB, passagem curta no PROS, o caminho até a entrada no PDT, do qual é vice-presidente nacional, e volta às urnas em 2018 (recebendo o reconhecimento do povo cearense, jamais perdera uma eleição ali, incluindo todas as presidenciais que disputou), oposição ao governo Bolsonaro e construção de sua candidatura presidencial à 2022.

Daremos continuidade à série iniciada nesta introdução explorando o pilar da militância.

_______________________

E aí, gostou da proposta? Então siga acompanhando os artigos do René. E não esquece de mandar seu artigo. Compartilhe suas ideias, experiências e opiniões no #VemPraMassa.