Para lembrar ressalvas às pesquisas eleitorais e seus efeitos


Texto de: Bia Silva

Muitas ressalvas têm sido feitas às pesquisas eleitorais, sobretudo à pesquisa Ibope divulgada na segunda-feira, tendo em vista que não houve levantamento de dados com eleitores no Ceará – estado com relevante apoio do eleitorado a Ciro Gomes. De modo geral, a metodologia das pesquisas não tem sido explicitada ou justificada. Isso dificulta a credibilidade de seus resultados e permanece pouco discutido em um período curto de campanha, em que novos dados são produzidos e divulgados pelas mais diversas fontes, mais ou menos legítimas.

As pesquisas podem induzir um comportamento de massa nada saudável para eleições democráticas. Eleitores começam a fazer inferências de “voto útil” com base na compreensão dos resultados das pesquisas, migrando de candidato em projeções que se atropelam e que, ao final do pleito, podem ter resultados reversos ou podem apenas afastá-lo do projeto de que mais se aproximava.

Após o Ibope divulgar na última segunda-feira uma pesquisa contratada pela TV Globo, nesta quarta-feira (26/09) o mesmo instituto divulga nova pesquisa, desta vez, contratada pela CNI.

A pesquisa ouviu 2 mil pessoas nos dias 22, 23 e 24 de setembro, em 126 municípios. Entre a intenção de voto, 27% dos entrevistados mencionaram Jair Bolsonaro e 21% mencionaram Fernando Haddad. Ciro Gomes estaria, segundo o instituto, com 12% das intenções de voto.

Mesmo entre o Ibope, a comparação entre os resultados publicados na segunda-feira e na pesquisa mais recente sugere uma nova projeção e tendência para a próxima semana: o percentual de votos em Ciro Gomes aumentou em 1% na pesquisa mais recente, enquanto a intenção de votos para Bolsonaro e para Haddad recuou em 1%.

Além disso, o percentual de eleitores que não sabem ou não responderam passou de 6% para 7%. Caso se mantenha, esse dado pode sugerir que há uma parcela do eleitorado que voltou a ponderar entre os candidatos e que poderá migrar de votos.

O instituto de pesquisa geralmente considera como “oscilação” os números que variam dentro da margem de erro (calculada em 2 pontos percentuais), dando pouca relevância estatística a essa mudança de 1% de crescimento ou de queda.

No entanto, como considerar que o Ceará, oitavo maior colégio eleitoral do Brasil, com 6.344.483 (6,3 milhões) de eleitores, não tenha entrado na amostragem para a pesquisa? Há relevância estatística suficiente no eleitorado cearense – onde se estima que a intenção de votos em Ciro Gomes pode ser de mais de 40% -, para que o estado não deixe de ser considerado em pesquisas divulgadas como levantamentos nacionais.

A amostragem da maioria das pesquisas tem ficado em torno de 2.000 pessoas entrevistadas, com exceção da pesquisa Datafolha, com amostragem que chegou a 9.000 entrevistados – como mostra a imagem ao final. A diferença entre o número de entrevistados é fator importante na hora de ponderar sobre os resultados.

Recentemente, Ciro Gomes comentou o efeito que os resultados de pesquisas eleitorais têm causado: “Não é razoável que um cidadão amadurecido politicamente entregue sua decisão e da sua família a institutos de pesquisa, nem porque podem ser desonestos —porque estamos no país em que até deputado se compra quanto mais instituto de pesquisa—, mas porque estamos num sistema em que podemos ter duas opções, uma no primeiro turno e outra no segundo, por isso devemos votar em quem achamos melhor“.

Hoje, a partir das 18h, haverá um novo debate entre os candidatos à presidência. Faltando poucos dias de campanha até o fim do primeiro turno, haverá novos levantamentos de intenção de voto e o compromisso dos institutos de pesquisa aumenta, para refinar sua metodologia e para, ao fim do primeiro turno, não se distanciarem da realidade como ocorreu no processo eleitoral de 2014.

 

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