Ciro Gomes: opção de futuro em tempos de culto ao passado


Uma reflexão sobre a atual conjuntura política e a necessidade de um posicionamento firme perante as exigências da história.

As incertezas pairam sobre o quadro político atual. Isto porque, provavelmente pela primeira vez desde a redemocratização, não temos uma conjuntura polarizada e focada em dois candidatos que já despontam como favoritos desde os primeiros momentos da corrida eleitoral. Possivelmente, em condições normais, isto é, caso Lula não estivesse na situação de prisioneiro político e pudesse disputar a presidência, tal quadro se repetiria agora e teríamos uma nova polarização entre os dois candidatos mais bem cotados para o cargo.

O que temos hoje é um candidato que, como bem diz Ciro Gomes, oferece soluções para os problemas mais complexos do país na base de frases feitas e clichês populistas – e que por isso atrai uma massa significativa de eleitores amedrontados com o avanço da violência e indignados com a roubalheira praticada no congresso – seguido por três outros candidatos tecnicamente empatados e cujo destaque dependerá das diversas variáveis do jogo político nos próximos dois meses.

É bem verdade que a provável impugnação da candidatura de Lula tem fins políticos reacionários injustificáveis, mas ela está longe de ser uma tragédia para o campo progressista. A rejeição do candidato petista, afinal, chegou a temíveis 52% nas últimas pesquisas, mostrando que, num eventual segundo turno, mesmo seus 30% de intenção de votos não seriam suficientes para garantir sua vitória se sua rejeição fosse somada aos 20% de intenção de votos do candidato Bolsonaro (fora o possível reforço do eleitorado de outros candidatos da centro-direita que ficarem para trás), do PSL. Obviamente, muitas outras variáveis poderiam fazer o jogo virar a favor do PT nos últimos minutos do segundo tempo, mas estas se apresentam enormemente improváveis uma vez que o antipetismo tem crescido vertiginosamente desde as manifestações de junho de 2013. Ou seja, a candidatura de Lula poderia ser um decreto para a vitória do candidato mais fascista que já se viu pelas terras tupiniquins.

A força política de Lula, entretanto, é forçoso reconhecer, se fundamenta mais em seus feitos políticos pretéritos e em sua origem operária que em sua real capacidade e conhecimento para superar o delicado momento político que o país vive. O modelo lulista de conciliação de classes, claramente, não dará conta de frear o ímpeto neoliberalizante e entreguista que assola o Brasil desde o golpe, em 2016. Faz-se necessário um candidato que possua força e experiência para desafiar os interesses do capital financeiro, tais quais os dos velhos lobos do congresso, e contestar os lucros exorbitantes dos especuladores profissionais. É imperativo que haja uma figura dotada de conhecimento técnico que saiba os caminhos que precisamos trilhar para sair do buraco em que as políticas austeras e entreguistas dos golpistas nos jogaram. Uma que, de preferência, não carregue consigo o ódio de classe que os petistas adquiriram ao longo dos últimos anos – e que, convenhamos, deve-se também aos erros do próprio partido.

Dada a conjuntura supracitada, qualquer um dos três candidatos empatados tecnicamente em segundo lugar, a saber: Marina Silva, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, têm chances de despontar e disputar um segundo turno com o provável adversário sendo Bolsonaro. Tudo dependerá dos próximos acontecimentos. Mas o que os adeptos do campo progressista precisam notar agora é que a responsabilidade e o poder para levar um candidato progressista para o segundo turno é inteiramente deles. Cabe a eles escolher: mais vale morrerem abraçados com Lula e verem o fascismo prosperar no país ou unirem-se para concretizar a possibilidade mais que palpável de levar Ciro Gomes ao segundo turno, e vê-lo ganhar força ao receber de apoio todos os 46% de rejeição ao Bolsonaro?

Pois Ciro Gomes já demonstrou que possui todas as qualidades necessárias para recuperar o caminho do desenvolvimento, desafiar os caciques do rentismo, equacionar as contas públicas, redistribuir renda, solucionar os problemas da violência endêmica e do sucateamento da educação e da saúde públicas, incentivar o avanço da ciência e tecnologia nacionais, entre outras melhorias. Sua história já é uma prova viva de sua honestidade e evidencia que, se é um perfil diferente de político que buscamos, Ciro é a escolha certa a se fazer. Em mais de trinta anos de vida pública, sua ficha permaneceu limpa, e ele jamais foi processado em inquérito algum, nem ao menos para ser absolvido no final. Sua experiência como gerente da máquina pública e executivo em grandes corporações o habilitam a dialogar com todas as classes, mesmo que, no final do dia, deixe sempre claro que seu compromisso enquanto chefe de estado será, majoritariamente, com o povo brasileiro. Logo, qual é mesmo o seu motivo para não votar em Ciro Gomes?

Aproveitando-se de sua forte base popular e grande popularidade, os petistas, como o próprio Ciro disse, têm colocado os progressistas para dançar à beira do abismo. Contudo, se as coisas não seguirem como planejado, o risco de cairmos despenhadeiro abaixo e abrirmos espaço no Brasil para o fascismo e tudo o que há de mais atrasado na humanidade é alto demais. Ciro, por sua vez, só cresce nas pesquisas. Suas chances aumentam a cada debate e a cada oportunidade que tem de expor suas ideias para o país. É hora de enfrentar esta crise com seriedade e responsabilidade, pois a história cobra caro por hesitações em momentos críticos (Jango que o diga). Precisamos deixar de lado o romantismo das purezas ideológicas e traçar a melhor estratégia possível para enfrentar a reação neoliberal, que tem nos feito amargar derrota após derrota já há um bom tempo. Precisamos agir em conjunto para voltar a vencer e, de fato, fazer o Brasil voltar a sorrir. É hora de assumirmos nossos papéis de agentes ativos da história viva. É hora de construirmos Ciro 2018.

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