3 bons motivos pragmáticos para votar Ciro Gomes no 1º turno


Texto de: Maurilio Montanher

3 MOTIVOS PRAGMÁTICOS PARA VOTAR EM CIRO GOMES PARA PRESIDENTE NO 1º TURNO

1 – Governar no presidencialismo de coalizão:

Em nosso cenário político atual, polarizado e conturbado, escolher a pessoa ou projeto do próximo presidente da República não basta — é preciso considerar se o nome eleito conseguirá governar.

Não é de hoje que cientistas políticos alertam que estamos num sistema de “presidencialismo de coalizão”, em que acordos entre partidos no âmbito do Legislativo são feitos a fim de sustentar o chefe do Executivo.

Assim, a ciência política aponta o que a história brasileira já nos mostrou mais de uma vez: nenhum presidente governa sem apoio do Congresso, por maior que seja seu êxito nas urnas.

Dos três primeiros candidatos nas pesquisas eleitorais, Haddad é o sustentado pela maior bancada nas duas Casas Legislativas. Mas pergunto aos seus eleitores: quem garante que o mesmo Congresso que acabou de votar pela saída do PT da presidência permitirá que o mesmo partido governe de fato caso eleito?

Além de um partido relevante, a governabilidade demanda a capacidade de negociação do Presidente. Nesse sentido, Ciro Gomes conta com um projeto de governo que lhe confere grande potencial de articulação com os parlamentares das siglas mais expressivas: PT, PSDB e MDB.

Seu projeto contém características valorizadas tanto pelo discurso político do PT como do PSDB: de um lado o desenvolvimento a partir de incentivos ao empreendedorismo e à livre iniciativa, de outro a garantia dos direitos sociais conquistados ao longo do tempo. 

Embora não esteja entre os maiores, seu partido, o PDT, tem representação razoável no Congresso Nacional, com mais deputados e senadores do que os partidos de Marina e Bolsonaro juntos, por exemplo. 

Se a ideia de negociar com parlamentares para governar não agrada em razão da atual composição de nosso Legislativo federal, as eleições atuais são a oportunidade de renová-lo: lembre-se de que podemos trocar 2/3 do Senado (fração que representa o quórum necessário para a aprovação de um impeachment). 

2 – Retomar a estabilidade democrática:

Do fim do regime militar até a crise política de 2016, o Brasil viveu o maior período de democracia da sua história. Foram 31 anos contínuos de olhar republicano na condução de nosso rumo, em sua maior parte sob uma Constituição que fez convergirem interesses diversos, rompeu com os anos de chumbo ao reforçar direitos fundamentais, e assentou as bases para um futuro digno e promissor. 

Para a nossa geração, que cresceu no período, a sensação de estabilidade democrática soa até natural, mas vale lembrar que se trata de uma exceção em nossa história repleta de rupturas.

Desde a crise política que tomou conta do Brasil em 2016, há um verdadeiro estranhamento quando se tenta analisar a situação do país, que se releva tanto de uma perspectiva externa, conforme observado em editoriais diversos, do Le Monde ao The New York Times, quanto no âmbito interno, dominado por ânimos exaltados e polarizados.

Não seria exagero afirmar que, desde o impeachment, temos sido praticamente governados pelos poderes Legislativo e Judiciário. Nesse pequeno período, o Congresso passou a trabalhar ativamente em pautas-bombas e projetos de lei que jamais passariam em condições normais (vide a reforma trabalhista, que permitiu o trabalho de gestantes em ambientes insalubres).

O Brasil também tem perdido reconhecimento internacional, com o atual Chefe do Poder Executivo mal sendo identificado em eventos no exterior. Daí a necessidade de um presidente nacionalista, que aposte no BRICS como forma de integração nacional a um mundo multipolar, onde diversos centros de poder ganham influência conforme a hegemonia dos EUA é diluída.

Ao contrário de Bolsonaro, cuja visão nacionalista se mistura a um patriotismo demente que flerta com o militarismo, chegando a propor a saída do Brasil da ONU, Ciro Gomes parece valorizar as riquezas nacionais e estar apto a enfrentar os desafios sociais e econômicos do século XXI.

3 – Acalmar os ânimos:

Não importa quem está certo, o clima atual de polarização chegou ao seu auge e prejudicou a todos.

Diversas pesquisas apontam Ciro Gomes como 3º colocado nas intenções de voto, atrás de Bolsonaro e Haddad, com a vantagem de apresentar menor rejeição do que ambos. 

Nem Haddad nem Bolsonaro parecem ter o potencial unificador que a crise política atual demanda. Independentemente do mérito de seus projetos, se eleitos, é mais provável que agravem a polarização já instaurada — talvez para além dos limites suportáveis. E quem aguentará mais 4 anos de instabilidade política? 

Por mais de duas décadas, assistimos a dois partidos governarem e protagonizarem o debate político nacional. Nesse momento, eleger diretamente uma terceira via nos daria a oportunidade de colocar tanto PT quanto PSDB fora do governo e observá-los tendo de se renovar e revendo suas estratégias.

Entre as opções viáveis, Ciro tem se destacado como o candidato com o melhor potencial unificador. Caso eleito, suas forças tendem a convergir num governo de centro.

Na hipótese de Ciro desagradar, em quatro anos voltamos ao debate tradicional de esquerda versus direita na alternância da presidência, num ambiente mais estável e propício (espero), onde tudo não esteja a um fio de se perder.

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