Ciro Gomes e as pesquisas: um resumo


Texto de: Vinícius Albuquerque [Enviado pela Página Cirão Carioca]

Na última semana, Carlos D’Incao, PTchevique de estirpe, escreveu uma das mais infames defesas retóricas da história de seu partido. Poucas vezes vimos um PT tão raivoso na sua caminhada de quase quatro décadas. Na própria ditadura militar, as lideranças sindicalistas ostentavam opiniões mais brandas do que neste presente momento. Leonardo Attuch, ainda que não tenha tido a mesma cólera de seu carbonário coleguinha, também engrossou as fileiras do anticirismo no Brasil 247. Injustificável.

Ciro Gomes, em sua posição de liderança dessa esquerda fraturada, respeita o momento do PT. Talvez por isso, por não ter revidado aos ataques de seu campo político, tenha sido o único candidato a ter crescido no pelotão de frente, segundo a pesquisa CNT/MDA desta semana. A confirmação de um cenário sem Joaquim Barbosa parece ter favorecido Ciro. Marina e Bolsonaro caem. Tal movimentação política tem uma implicação fundamental no desenrolar das eleições: ceteris paribus, Ciro Gomes larga empatado com a Marina, em viés de ascensão.

Isso é perigosíssimo para um partido, e somente para um partido: o Partido dos Trabalhadores. Tudo o mais constante, Ciro teria chance de passar para o segundo turno sem o PT. Isso enfraquece o PT para os próximos quatro anos, pois seu apoio já não é de fundamental importância para a vitória. Poderia haver saída em uma composição com PC do B e PSB. Hoje, a popularidade relativa de Ciro colocaria o PT em posição incômoda, ainda que o mesmo não seja uma força política negligenciável. Por essa razão, utilizar os ataques a Ciro como novo cavalo de batalha tem sido uma atitude irracional por parte dos petistas. Cronos ainda não percebeu que está a devorar uma pedra, não o seu filho. O PT, ao atacar Ciro, não percebe o cenário real em que se colocou.

Dito isso, observa-se a implosão das forças tradicionais da política brasileira ante a insatisfação do eleitor brasileiro. Como se não bastasse, mais de um terço dos jovens vota em Bolsonaro, evidenciando a percepção negativa do governo do PT e a péssima propaganda feita pelos partidos de direita nos últimos anos, que jogaram boa parte de nossa juventude nas garras do fascismo.

Caberá a Ciro Gomes negociar com um PT iludido, ostentando uma força que o partido está longe de ter. Caberá ao mesmo criar uma plataforma de centro-esquerda moderada, dando algum protagonismo a PC do B e a PSB. Além disso, um aceno à centro-direita também será fundamental, para tentar ocupar um setor político que tanto Marina quanto Bolsonaro relutam em reconhecer como importante “player”. Se Ciro e PDT vierem a ganhar, haverá um longo trabalho de desengajamento fascista, capitaneado pelos asseclas da família Bolsonaro.

Nota: ***A opinião do articulista não representa necessariamente a opinião da equipe do Cirão Carioca. Vinícius Albuquerque é colunista de segunda-feira da página.

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