Sou Ciro porque o Brasil é maior que São Paulo e a sua miudeza política


Texto de: Douglas Rafael Duarte

Tirando a tradicional fraude do Vox Populi, todas as pesquisas (até o famigerado Paraná Pesquisas) nas últimas semanas mostraram que Ciro pode se consolidar (mesmo que com margem pequena de diferença para seus adversários) em 2º lugar nas eleições presidenciais. Deixam claro ainda que Ciro Gomes é o único candidato que vence todos os adversários em um eventual 2º turno.

Ciro chegou a esse posto sem grana, sem uma grande estrutura partidária, sendo agredido pela mídia e pelos adversários (de todos os espectros políticos) dia após dia e, principalmente, sem tempo de TV. Tudo feito com base no diálogo, na força de seu projeto e no suor de uma militância aguerrida e comprometida, especialmente nas redes sociais.

Agora imaginem a condição em que ele estaria com os quase dois minutos que teria, caso a artimanha canalha que foi feita pra jogar o PSB na “isenção” (que na prática somou a maior parte desse tempo ao Alckmin) não tivesse sido feita? Se você não consegue imaginar, vou apresentar alguns cenários e incertezas com as quais convivemos ainda hoje.

Não estaríamos temerosos com a Marina capitalizando votos de Lula ou unindo-se ao picolé de chuchu, ou sendo “ungida” pelo mercado e pela mídia, porque nada disso faria diferença.

Não precisaríamos ter qualquer receio de que, com uma “cartada” do Geraldo em seu oceano de tempo de TV ele pudesse nos desconstruir, porque teríamos o tempo na telinha necessário para fazer o enfrentamento.

Também não estaríamos apreensivos com uma possível derrota no segundo turno em virtude da rejeição ou da falta de projeto do PT, porque o Ciro certamente já estaria lá.

Além disso, nenhum de nós teria medo de uma facada ou uma capa mentirosa de revista decidir a eleição. Poderíamos estar concentrando esforços na eleição de Senadores, Deputados e Governadores do nosso campo. Dava até pra ir “aprovando” a maior parte da nossa agenda através do próprio debate eleitoral.

Dito isso, vocês entendem então o porquê da indignação? Entendem porque isso foi uma traição sem precedentes na política nacional? Entendem porque quem conduziu o processo político com tamanha desonestidade e irresponsabilidade não pode ser o “voto útil” e voltar a receber o poder como prêmio por sua política com “p” minúsculo?

Entendem por que beira o deboche a militância que até ontem dizia que era “Lula ou Nada” (seria FH o nada?), e que hoje diz que “Lula é Haddad”, nos repreender publicamente por apontarmos estas e outras muitas contradições escondendo-se de suas (ir)responsabilidades, escondendo-se atrás do argumento falacioso de que “os inimigos são outros”? Isso depois da blogosfera petista agredir dia após dia o Ciro e sua militância!

Ninguém está dizendo que o Haddad não é um homem público respeitável, estamos dizendo é que o PT não tem outra proposta que não seja a defesa suicida de Lula (que sim, merece ser defendido, mas não à custa do país). Estamos dizendo que o PT atualmente representa a única chance de vitória da direita em uma eleição que nós já poderíamos estar vencendo. Estamos dizendo que o PT não discutiu com sua base um programa aplicável na atual conjuntura, que é uma das mais graves da nossa história, especialmente no aspecto econômico.

Estamos dizendo, em síntese, que nós já vimos esse filme e ele terminou em tragédia em 2016: um Presidente por procuração, sem força e sem legitimidade que termina golpeado pela incapacidade de articular e controlar, não a oposição, mas a própria base. O Brasil não aguenta outro mandatário que na maior parte do tempo tem que ser tutelado, e quando decide governar mete os pés pelas mãos. Só o egoísmo de quem vive no ar-condicionado, pensando que a causa do trabalhador é o seu partido e não a sua libertação, pode embarcar e querer levar junto todo o povo brasileiro para viajar nesse Titanic. Lembrando que o melhor para o Titanic não era ter mais botes, mas sim jamais ter saído do Porto.

A verdade é que não existem alternativas viáveis no nosso campo, existe uma alternativa viável de projeto e uma de poder. Eu quero um projeto, quero um Presidente que mobilize seus apoiadores impulsionados pela força de suas ideias e não da simples afirmação de seu projeto de poder ou da negação dos seus adversários.

Eu sou Ciro porque o Brasil não pode pagar para ver o que resultará dessa valsa à beira do abismo.

Eu sou Ciro porque o Brasil é maior que São Paulo e a miudeza política de seus salões.

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