O importante aceno de Ciro Gomes aos povos indígenas


Texto de: Gabriel Valentim

Enquanto filho de retirante nordestino, conheço relativamente bem o drama de ter nascido em um lugar onde as pessoas têm de penar muito para conseguir colher o de comer, em uma terra onde as condições geográficas e climáticas para plantação nem sempre são das melhores possíveis. Desde muito novo, tive a oportunidade de compreender o quanto a terra é importante para a subsistência e, sobretudo, sobrevivência do ser-humano, suas culturas e tradições. E é por isso que eu respeito e tenho tanta admiração pelos povos originários, os povos indígenas.

O mês de abril que se findou, para além do dia 19 – em que se comemorou oficialmente por mais uma vez o dia do Índio no Brasil – marca também, historicamente, um mês de muitas lutas para tais povos. Eles sempre marcham e se concentram na Esplanada dos Ministérios[1] em Brasília para reivindicar vários de seus direitos, como a demarcação de terras, respeito a áreas de vegetação nativa (na contramão da construção de barragens de água e outras mudanças na geografia local para atender a interesses econômicos) e também para protestar contra o genocídio que é cometido contra eles por fazendeiros, ruralistas e até mesmo o Estado.

Diante deste cenário, não é pouco que um candidato a Presidência da República vá a uma tribo no interior do Mato Grosso para estabelecer um elo de diálogo. Enquanto existe gente por aí infelizmente dizendo que Índio e quilombola não servem para nada, o ex-Ministro nos mostra o quanto temos de aprender e conservar tais culturais em nosso sangue. Muita gente costuma dizer, e eu concordo, que o Brasil só conseguirá se refundar enquanto nação quando promovermos a cooperação entre as três raças primordiais. Índios, brancos colonizadores e negros escravos que ajudaram, com esforço de muito suor e sangue nossa pátria-mãe. Esse aceno dado por Ciro a tais povos mostra uma clara sensibilidade em unificar o Brasil em um diálogo fraterno entre as mais diversas etnias que temos em solo nacional.

Conhecer sobre a cultura, hábitos e costumes dos Índios é a primeira maneira de quebrar preconceitos, dissolver estigmas negativos e aprender a respeitar o diferente. Sempre muito estereotipado como uma raça de gente que não gosta trabalhar e só quer viver preguiçosamente em suas redes enquanto o restante da civilização progride e produz, o Índio sofre demasiadamente no imaginário do brasileiro médio, que não acha normal que populações inteiras consigam existir com saúde somente retirando o que lhes é suficiente da natureza. E o passo de Ciro Gomes nesta direção de entendimento e diálogo é crucial no momento atual do país, quando há em curso uma clara marcha por parte do Governo tampão de ataque contra tais pautas, e quando as pautas identitárias racham até mesmo o campo de pensamento da esquerda, dividindo as pessoas entre causas diferentes, ao invés de se concentrarem na harmonia do discurso e alinhamento de ideias.

Entender a causa indígena, bem como dar espaço ao empoderamento feminino, a questão do genocídio dos negros nas periferias, entre outros, é procurar construir maneiras sólidas de se desenvolver o país para além do plano econômico. É procurar mostrar as pessoas que os indígenas, bem como as outras minorias acima descritas, merecem, sim, representatividade e espaço de fala em nossa democracia[1].

Composição do Congresso Nacional

Porque construir um país mais justo e menos desigual é nosso dever expresso na Carta Magna de 88. E Ciro Gomes bateu mais um bolão ao acenar que está atento a todas essas causas importantíssimas que nos privam de evoluir enquanto sociedade. Nossos ancestrais, que cuidaram de nossa terra tão bem – antes da exploração Europeia na terra de pau-Brasil, agradecem.

 

 

 

Referências:

[1] 35 anos após Juruna, indígenas seguem sem representação política no Brasil (acesso em Abril de 2018) https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/27/politica/1524781428_325304.html

[1] Indígenas encerram Acampamento Terra Livre com carta ao Ministério da Justiça (acesso em Abril de 2018) http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2018/04/indigenas-entregam-carta-com-reivindicacoes-contra-governo-no-ministerio-da-justica

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