Campanha da Legalidade: a vitória popular de uma jovem democracia


Por Juliene Luçardo (Equipe VPM)

“Os golpes só prevalecem na desinformação”, a frase nos parece e, de fato, é muito atual. Entretanto, ela foi dita por Leonel Brizola durante a Campanha da Legalidade, liderada por ele. Essa mobilização popular e militar é, por vezes, esquecida ou subestimada pela história. Em tempos de crescentes ataques às instituições democráticas, parece ser nosso dever lembrar de uma das maiores vitórias populares na luta contra o autoritarismo da elite brasileira.

UM IDEÁRIO A SER LEMBRADO

A Campanha da Legalidade durou 13 dias, tendo início no dia 25 de agosto de 1961. O cenário era de instabilidade política em função da renúncia do então presidente da República, Jânio Quadros. Diante de tal circunstância, segundo a Constituição brasileira, quem deveria assumir a presidência era o vice-presidente eleito, João Goulart.

Todavia, o medo das elites políticas e militares em relação ao ideário progressista de João Goulart estimulou a tentativa de impedir sua posse, ação claramente antidemocrática. Mas falar que as ideias de Jango eram progressistas é pouco, afinal, foi ele que, alguns anos mais tarde, propôs uma série de reformas consideradas revolucionárias mesmo nos dias atuais. Estamos, portanto, falando de reformas que alterariam as estruturas fiscal, política, educacional e agrária do país.

A CAMPANHA DA LEGALIDADE E A LIDERANÇA POPULAR DE LEONEL BRIZOLA

A campanha da Legalidade teve por objetivo o cumprimento da Constituição Federal, garantindo a posse de João Goulart. O movimento liderado por Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, se deu através da mobilização da população. Por meio da rádio, que funcionava dentro dos porões do Palácio Piratini, Brizola convocava toda população gaúcha para ir às ruas em defesa do cumprimento da Constituição.

O movimento também contou com fundamental apoio do terceiro exército brasileiro. Com sede em território gaúcho, o terceiro exército cumpriu (por mais estranho que, hoje, possa parecer) sua obrigação de defender a Constituição.

Estava em jogo nossa jovem e frágil democracia, à época, já atacada por tentativas anteriores de golpe. A Campanha da Legalidade marcava, assim, uma luta contra os que persistiam em condenar a nação brasileira ao retrocesso. Sendo assim, a população gaúcha decidiu sair às ruas com as armas disponíveis, como enxadas e ancinhos, como quem fosse para a guerra, o que, de fato, era.

A Campanha da Legalidade impediu, naquele momento, a realização de um golpe de estado e assegurou o Estado Democrático de Direito (ainda hoje, frágil). E essa parte da história brasileira protagonizada pelo povo gaúcho, reconhecido por sua peleja (atualmente adormecida), não pode jamais ser esquecida.

+ Não há comentários

Adicione o seu