Cambridge Analytica: dados e manipulação eleitoral


Cuidado com o desconhecido vigiando vc na sua sala…

E no quarto. E no banheiro. Você não o percebeu, mas ele vê e ouve tudo. Cada vez que você age conectado(a) na Internet, o que você faz, como faz e quanto faz, é observado e registrado, e de todas essas informações é tirada uma quantidade muito maior de conclusões do que você seria capaz de imaginar.

Você já se perguntou como é possível que tenham sido eleitos personagens com históricos sabidamente negativos ou totalmente desconhecidos? Não acreditávamos, mas foram eleitos. Por que não vimos as propagandas que produziram esses resultados?

Em entrevista a Jim Fruchterman da Tech Matters, a Dra. Shoshana Zuboff, explica como dados do nosso comportamento estão sendo coletados ininterruptamente, usados para avaliações psicológicas que são vendidas, sem que tenhamos qualquer controle ou o mero conhecimento. E com elas é direcionada uma publicidade específica para cada perfil. Essas novas técnicas permitem não apenas prever o que pode dar certo, mas de fato fazer acontecer, ultrapassando a esfera da maximização de lucros. Trump, Bolsonaro, Dória e Witzel são evidências disto.

O uso, por empresas e partidos, de dados que fornecemos sem querer ameaça nossa liberdade e a democracia.

A qualidade das previsões baseadas nos nossos dados depende não só do grande volume, mas também de variedade. Por isto, segundo Shoshanna Zuboff, além da nossa atividade diante do computador, a inteligência artificial da vigilância passou a se alimentar também do que ela capta nos nossos celulares e tablets: o que dizemos, nossa aparência, o que fazemos, com quem fazemos, como andamos, o que comemos, etc e a partir do reconhecimento facial ela passou a inferir estados emocionais. Ela identifica não apenas para onde caminhamos, mas como caminhamos, postura corporal, cadência da voz, velocidade da fala, nível de decibéis, etc.

Nosso interior está sendo vigiado através dos dados do nosso comportamento. No facebook, por exemplo, o que se usa não é só o que dizemos, mas como dizemos: são sentenças longas e complexas ou curtas e simples? Fazemos listas separando tópicos? Ao marcar um encontro dizemos “Até mais tarde”? ou “Chego às 7h45.” Não se trata de quem está nas fotos mas do fato de postarmos fotos ou não. O que as plataformas que usamos na Internet vendem ultrapassa em muito nosso comportamento.

Há muita pesquisa sobre isto nas corporações e na academia. Com coisas como pontos de exclamação e saturação das cores nas fotos, descobriram que é possível determinar qual seria a avaliação de um perfil no modelo de personalidade de 5 fatores usado hoje frequentemente pelos psicólogos.

Dra. Shoshana Zuboff (Professora de Harvard) e Christopher Wylie (Ex-colaborador da Cambridge Analytica)

Dra. Shoshana Zuboff (Professora de Harvard) e Christopher Wylie (Ex-colaborador da Cambridge Analytica)

Segundo constatação da Dra. Zuboff, a Cambridge Analytica manipulou eleitorados em pelo menos 15 países, usando dados de 87 milhões de pessoas para redigir conteúdos sob-medida, capazes de detonar reações que, nas palavras do consultor canadense Chris Wylie, “poderiam fazer emergir os demônios internos das pessoas”.

Entrevista completa em

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