Bolsonaro é desmentido pela ciência


Por Douglas Rafael Duarte*

O genocida que ocupa a Presidência da República claramente tinha uma única estratégia para enfrentar a pandemia: mentir do início ao fim. No entanto, Bolsonaro, tão acostumado a emplacar as narrativas mais absurdas, viu-se em um histórico 17 de janeiro, desmentido categoricamente e em rede nacional por uma enfermeira, pelo Instituto Butantan e por uma vacina. Isso aconteceu porque Jair escolheu o pior inimigo para quem deseja aplicar uma grande lorota: a ciência.

UMA MENTIRA (COMPLETA) TEM PERNA CURTA

Mas não me entendam mal, eu não sou destes que creem que a verdade sempre aparece e blá blá blá. Ao contrário, sei bem que em política as meias-mentiras costumam ser muito eficientes. Muitas delas ficaram famosas e ganharam até o status de meias-verdades.

O apadrinhamento do Plano Real dado à FHC (na Wikipédia até hoje a foto que ilustra o artigo sobre o assunto é do tucano e não do então Presidente Itamar Franco) é um dos tantos exemplos dessas vitoriosas construções narrativas que podem, como no caso citado, até mesmo alçar um indivíduo à Presidência da República.

Uma mentira completa, no entanto, costuma não ter vida longa, ou de acordo com o ditado popular “tem perna curta”. Na política, para contar uma completa inverdade e ela prosperar só é possível se você dispor:

a) da melhor estrutura de comunicação possível;
b) da absoluta cumplicidade da grande mídia (o que não é tão difícil);
c) da escolha dos adversários corretos.

Bolsonaro além de ter elegido a ciência como sua inimiga, elegeu ainda uma das áreas do conhecimento acadêmico que mais impactam na vida real das pessoas enquanto serviço público: a saúde.

A CIÊNCIA VIRA O JOGO

O Presidente talvez tenha ficado mal acostumado com seus embates contra professores de história, jornalistas, cientistas políticos e sociólogos. Estes têm “apenas” (obviamente este “apenas” contém ironia e muito respeito pelo trabalho destes profissionais) fatos, documentos, registros, artefatos e outros elementos, mas, principalmente, a sua fala e escrita para enfrentar Jair e sua máquina de produção fakenews.

O problema é que, em tempos de pós-verdade, ao acrescentar um simples “isso é o que estes esquerdistas querem que você acredite”, Bolsonaro convencia uma parte da sociedade que não tem tempo, capacidade ou vontade de averiguar, por exemplo, se “a Ditadura só matou bandido” ou não.

Mas com uma doença e seu remédio a coisa é bem diferente.

Em primeiro lugar porque mesmo as elites queriam logo um imunizante. A grande mídia também não seria sua cúmplice nessa cruzada (família Marinho e cia são reacionários, mas não burros). E mesmo seus aliados na política (ao menos a maioria) não embarcariam nessa canoa furada. Qual Governador ou Prefeito não gostaria de imunizar logo a população e parar de brigar com empresário pelo fechamento do comércio? Somente os mais lunáticos e que pouco representam pro Brasil real. Por fim, existe um dado muito claro e objetivo: ao ser aplicada, as pessoas verão na prática que a vacina funciona.

A INIMIGA HISTÓRICA DOS MITOS VENCE MAIS UMA BATALHA

Alguém acredita que é por acaso alguém como Doria ter se colocado “ao lado da ciência” desde o começo? Jamais foi espírito público, mas esperteza. O Governador paulista não é um boçal como Bolsonaro. É da direita “letrada”, daquela que mente sem convencer-se das suas mentiras. Jair não.

Jair é um simplório que acredita nas maluquices de gente como Olavo de Carvalho. Jair acreditou que era mesmo “apenas uma gripezinha”. Depois acreditou que “a vacina chinesa é perigosa”. Mais do que tudo, acreditou que poderia brigar com microscópios, provetas e toda essa parafernália de laboratórios (da qual eu não entendo nada e por isso mesmo não brigo com ela) da mesma forma que lidou com o PT: falando em kit gay e doutrinação comunista.

O tiro saiu pela culatra. Ou melhor, saiu pela seringa que aplicou a primeira dose da CoronaVac, sob os olhares de todo o Brasil, no braço de Mônica Calazans, mulher, negra e enfermeira de São Paulo. Resta à Bolsonaro agora, correr contra o tempo para aplicar outra completa mentira: a de que a vacina é uma conquista do seu (des)governo. O registro de um crescimento recorde das menções ao termo “impeachment” na última semana indica que talvez ele, novamente, não vá obter êxito. Que assim seja!

Assim sendo:

Viva o Butantan!

Viva o SUS!

E viva a ciência e a pesquisa que destroem (e derrubam) mentiras (e mitos).

*Douglas Rafael é graduando em jornalismo e Secretário Geral da JSPDT-RS.