Estratégia do PT sai pela culatra e militância aponta canhões contra Ciro Gomes


A estratégia do PT no 1º turno estava bem definida: prorrogar ao máximo o nome de Lula como candidato, e evitar qualquer confronto com Bolsonaro.

A estratégia foi mantida até a última semana.

Não se ouviu nenhum “piu” de Haddad.

Ciro fez o trabalho sujo de combate ao fascismo.

Chamou Bolsonaro de “projetinho de Hitler tropical”, “nazista filha da puta”, “salafrário”, “fascista”, “aberração”, “nota de três reais”. Disse que o General Villas Bôas poderia estar “demitido e provavelmente pegaria uma cana” pelas manifestações que colocaram em cheque a legitimidade do presidente a ser eleito. Denunciou que havia “cadelas [do fascismo] no cio” nas forças militares. Bateu de frente com o general Mourão, chamando-o de “jumento de carga”, após o vice de Bolsonaro ter falado que eles eram “os profissionais da violência”. Essas são algumas das dezenas de afirmações de Ciro Gomes que ilustram sua incansável batalha travada contra a ascensão do fascismo.

Porém, na última semana do 1º turno, viu-se uma disparada na rejeição de Haddad (após os protestos do #EleNão), o que causou disparada na intenção de votos em Bolsonaro.

Só aí o PT percebeu que era preciso alterar o seu discurso, e começou a liberar vídeos falando mal de Bolsonaro, a fim de conter a ascensão do bolsonarismo.

Para o PT não importam os fatos, mas sim a narrativa. E na narrativa, eles têm de ser os protagonistas, sempre.

A estratégia do PT no 2º turno era muito clara: calculando uma alta probabilidade de derrota, queriam colocar Ciro Gomes no barco deles.

Assim, o PT seria glorificado como a linha de frente do combate ao fascismo (apesar de ter permanecido silente na maior parte do tempo), enquanto Ciro Gomes seria reduzido a uma mero coadjuvante silenciado debaixo das asas do PT, e, automaticamente, contaminado pela rejeição do partido.

Caso isso acontecesse, para sempre Ciro Gomes carregaria a pecha de ter se aliado ao PT, “em troca de uns carguinhos” — como alguns gostam de inventar. Seu brilho teria sido ofuscado, e o PT estaria satisfeito.

Mas não foi isso que aconteceu!

A militância dos petistas parece que se esqueceu dos fatos. Mas vamos recordá-los.

Ciro Gomes levou rasteiras e facas nas costas do PT diversas vezes em sua pré-campanha e campanha.

Da prisão, Lula ceifou possíveis alianças de Ciro Gomes. Foi assim que ocorreu com o PSB (em troca do sacrifício de Marília Arraes, em Pernambuco), e foi assim que ocorreu com o Centrão.

Como revelou a revista Istoé, por meio de bilhetes, Lula teria mandado enviar dinheiro para o deputado Weverton Rocha (PDT-MA), a fim de conter o crescimento de Ciro no Maranhão.

Na pré-campanha, Jaques Wagner defendia uma chapa Ciro-Haddad. Mas a Executiva do PT vetou. Gleisi Hoffmann afirmou que Ciro Gomes não passava no PT “nem com reza brava”. A Executiva do PT queria que Jaques Wagner, então, assumisse o papel de vice, mas ele se negou, pois achava que o PT não deveria seguir a estratégia de indicar um poste.

Depois que o PDT já tinha homologado a candidatura de Ciro Gomes, o PT ainda enviou emissários para tentar fazer com que Ciro abandonasse sua campanha, para se tornar vice de Lula, o que seria impossível na prática. Ciro já se preparava há 3 anos para ser presidente, e já tinha deixado claro dezenas de vezes que não faria papel de poste. Um total desrespeito.

Ciro há muito tempo alertava que o PT, ao propor uma candidatura sabidamente insustentável, estava convidando o país a dançar “à beira do abismo”.

Mas Ciro Gomes cumpriu seu dever.

Ele e seu partido, o PDT, manifestaram apoio a Haddad, contra o fascismo.

Por quê, depois de tudo isso, o PT esperava que Ciro Gomes fosse subir em palanques com o partido?

Calculando uma possível derrota, os petistas agora querem tentar manchar a história de Ciro Gomes, colando nele uma pecha de covarde e irresponsável.

Parece brincadeira.

Desde sempre Ciro Gomes lutou bravamente contra o fascismo e pela democracia. Não faltaram avisos sobre os riscos da estratégia petista.

Não adianta, agora, inventar uma narrativa que não condiz com a realidade.

Ciro Gomes sai dessa campanha gigante e vitorioso.

Agora só resta a nós, militantes, seguir na luta, contra Bolsonaro, em defesa da democracia.

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