A arma dos petistas e psolistas é atacar Kátia Abreu – por que você deve defendê-la


A arma dos petistas e dos psolistas agora é atacar Kátia Abreu.

A Mídia Ninja publicou ontem uma montagem, de um lado Kátia Abreu dando flores a Sonia Guajajara (pedindo paz!), de outro Sônia dando a motosserra de ouro a Katia. Mídia Ninja escreveu a legenda: “Cada um tem o que merece”. Minutos depois, a página apagou a publicação.

Os administradores dos perfis de Sonia e Boulos no Twitter também parecem apreciar ataques para “lacrar”. Basta ver a resposta que Sonia Guajajara deu à publicação de Kátia Abreu acima.

A página dos Jornalistas Livres (livres?) replicaram a imagem acima na página deles no Facebook.

O que Sonia não sabe (e nem a militância partidária), infelizmente, é que Katia Abreu já se posicionou favoravelmente à reforma agrária e à demarcação de terras indígenas.

Para eles, não parece importar. Vale qualquer coisa em nome da lacração.

Os petistas são mais comedidos. Afinal de contas, em maio deste ano, Lula escreveu uma carta apoiando Kátia Abreu na sua candidatura ao governo do Tocantins. Na carta, Lula reconhece o fato de Kátia Abreu ter lutado bravamente contra o impeachment. O própria Lula, aliás, reclamou na carta que muitos companheiros “de esquerda” ficaram acanhados e escondidos, com vergonha de lutar contra o impeachment. Será que Lula estava se referindo a Haddad?

Kátia Abreu lutou bravamente contra o impeachment (sobre isso, vale a pena assistir a alguns vídeos no YouTube).

Ela já chamava o movimento de golpe muito antes de Haddad dizer que “golpe” era uma palavra muito dura.

Acabou sendo expulsa do PMDB, em 2017, por sua atuação no processo de impeachment, pelas críticas ao próprio partido e ao governo Temer.

Pelos mesmos motivos, Kátia também foi expulsa da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), entidade na qual outrora exercera presidência.

Quando Senadora, Kátia Abreu foi firme na defesa de muitas pautas progressistas. Por exemplo, foi contra o Teto de Gastos e a reforma trabalhista.

Kátia também foi a favor de um maior controle dos chamados agrotóxicos pela Anvisa e Ibama, indo de encontro com os interesses da elite agrária.

Vale frisar que, mesmo antes de tê-la escolhido como vice, o plano de governo de Ciro já defendia a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente, especialmente no contexto do agronegócio.

Caráter e lealdade de Kátia Abreu

Após a batalha contra o impeachment, em carta dirigida a Kátia Abreu, o próprio Lula reconheceu sentir orgulho da Senadora, considerando a carência de pessoas com caráter e lealdade na política brasileira.

Em nota, a própria Gleisi Hoffman também testemunhou o engrandecimento de Kátia Abreu após o processo: “Ao contrário do que desejavam seus algozes, a senadora Kátia Abreu sai desse episódio ainda mais engrandecida aos olhos do país. Receba o nosso carinho, na certeza de que continuaremos juntas em muitas lutas pelo Brasil.”

Kátia Abreu não está envolvida em nenhum caso de corrupção. O STF recentemente arquivou um inquérito contra a Kátia Abreu, por absoluta falta de provas.

Mulher lutadora

A história de Katia Abreu é de uma mulher que venceu os preconceitos e conquistou seu espaço na política com muita luta.

Aos 25 anos, ficou viúva com uma filha na barriga e dois filhos para criar. Criou sozinha seus filhos, apoiada pela mãe. Mudou-se para o norte de Goiás (hoje Tocantins) para assumir o comando de sua propriedade rural após o falecimento do marido. Aprendeu a cuidar da fazenda e tornou-se a primeira mulher presidente de um sindicato rural no Brasil, em Gurupi (TO). Depois virou a primeira mulher líder do movimento rural brasileiro. Depois virou a primeira mulher ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A importância da agricultura para um projeto nacional de desenvolvimento

Convidar Kátia Abreu para a chapa de Ciro Gomes tem diversos motivos, que não apenas ligados à sua história, seu caráter e lealdade. Ciro Gomes busca unir o Brasil, em torno dos interesses de quem trabalha e de quem produz (e não em favor da elite financeira e rentista). Kátia simboliza representatividade, da mulher, e do setor produtivo.

O projeto nacional de desenvolvimento de Ciro Gomes se diferencia do projeto do PT justamente porque Ciro Gomes quer democratizar não só o lado da oferta (empoderamento do consumidor, ampliação do crédito, redução do endividamento), mas também o lado da demanda (democratização e ampliação da competitividade do setor produtivo). Esse diferencial que permitirá ao país um crescimento sustentável e geração de empregos.

O agronegócio é um setor estratégico para o país justamente porque corresponde a aproximadamente 1/4 do PIB, e tem uma participação de 44% nas exportações brasileiras. O agronegócio é extremamente fundamental pois permite ao país ter uma balança comercial superavitária (na medida em que o país é um grande importador de bens eletrônicos, tecnológicos, etc), mantendo a taxa de câmbio (valor do real frente ao dólar) em patamares que permitam manter o poder de compra dos consumidores. Em outras palavras: o agronegócio ajuda a fechar a conta da balança de pagamentos, e manter o nosso consumismo, por meio de taxas de câmbio equilibradas e do controle da inflação.

Um dos problemas do agronegócio, entretanto, é que uma parte considerável dos insumos agrícolas (e.g. defensivos, maquinário, biotecnologia, etc.) ainda são importados. Isso acaba gerando emprego no exterior. No projeto de Ciro, o agronegócio compõe um dos complexos industriais que serão foco de atenção. Significa incentivar a reindustrialização, fomentando a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e produzindo nacionalmente os insumos necessários à nossa agricultura, gerando os empregos aqui, reduzindo as importações.

Tudo isso não significa se subjugar aos interesses do setor, de forma subserviente, como parte da esquerda alardeia (de forma bastante simplista, pois nega a importância do setor para a economia nacional). O projeto de Ciro estabelece premissas fundamentais para que o Meio Ambiente e as áreas de preservação ambiental permaneçam devidamente protegidas no contexto da agricultura. O programa de Ciro Gomes também destaca como um dos objetivos o fortalecimento da agricultura familiar, redução no uso de agrotóxicos e fomento a controles alternativos da agricultura.

O contexto da escolha de Kátia Abreu

O desejo inicial de Ciro era escolher alguém ligado ao PSB ou PCdoB, a fim de compor uma ampla frente progressista. Entretanto, o PT fez de tudo para isolar Ciro. No Maranhão, o PT ameaçou retirar o apoio a Flávio Dino (PCdoB) – chantageando apoiar os Sarney, como já fez antes –, e retirou a candidatura de Marília Arraes (PT) em troca da neutralidade do PSB. Não restou a Ciro outra alternativa senão buscar uma solução caseira.

A aliança com Kátia Abreu tem a pretensão de complementar as visões de Ciro, na tentativa de construir pontes entre quem trabalha e quem produz, produzir consensos e diminuir a polarização. Vale lembrar que os eleitores ligados ao agronegócio (principalmente na região do Centro-Oeste) tendem a votar em peso em Bolsonaro, e é papel de Ciro dissuadi-los, exercendo seu papel de liderança política.

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Todos esses aspectos são simplesmente ignorados pela esquerda radical, preocupada demais com a lacração.

 

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