A quem interessa o cinismo de Bonner na sabatina de Ciro Gomes?


Texto de Daniel Soares, Cientista Social pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Que o jornalista Willian Bonner estava demasiado temperamental na entrevista a Ciro Gomes na noite da última segunda-feira é evidente. Sua agressividade remete à logica de briga por audiência na televisão, já discutida em outro texto por aqui.

Bonner buscou confrontar e desconstruir todas as ideias que possam, porventura, desafiar o status quo estabelecido, caso sejam eleitas pelo povo brasileiro. Classificava toda e qualquer medida pró-povo de demagogia barata, tentando fazê-las parecer promessas vazias para angariar votos, no intuito de desacreditar o projeto de nacional desenvolvimento de Ciro. O mais impressionante foi a insistência do jornalista em satirizar as propostas de Ciro mesmo que o próprio as explicasse detalhadamente (quando lhe era permitido). Bonner assemelhava-se a uma criança birrenta que tapa os ouvidos e grita para não ouvir a bronca dos pais. No entanto, a cada tentativa sua de ridicularizar as ideias de Ciro, o candidato rebatia com dados, estatísticas e muita classe, deixando claro a todos o quão mal intencionado Bonner estava.

Chama a atenção a aparente ignorância da mídia brasileira quanto ao poder de desenvolvimento que o consumo das famílias confere à economia nacional. Esta indiferença quanto ao motor do consumo não se dá apenas pelo escasso conhecimento técnico de macroeconomia dos jornalistas (apesar de esta escassez ser real), mas também pela automática reprodução da ideologia dominante na economia. Os banqueiros, seus representantes economistas do mercado financeiro, os proprietários de renda bilionária e, consequentemente, os veículos de comunicação geridos por estas elites, todos defendem que o consumo da população deve ser restringido para não desequilibrar as contas. Mas a realidade é que não há conta que desequilibre por aumento de demanda. Este controle do consumo nada mais é que uma maneira de assegurar a manutenção da distinção entre ricos e pobres, seres superiores e inferiores em sua tacanha concepção. O consumo das famílias, como Ciro tem frequentemente esclarecido, é uma das principais forças motriz da economia, pois estimula a produção, gera emprego e garante um desenvolvimento robusto. Portanto, qualquer gasto do governo com programas que devolvam à população a possibilidade de consumir será uma despesa que proporcionará retornos certos e astronômicos para as contas públicas a médio e longo prazo.

O projeto de nacional desenvolvimento de Ciro promove uma redistribuição de renda através da taxação dos mais ricos, da devolução da liderança econômica ao setor produtivo (e consequentemente a melhoria das condições de serviço para os trabalhadores industriais e da área de serviços), do retorno do papel do Estado como investidor estratégico, e da inclusão da população pobre no consumo de produtos e serviços (com programas sociais e política de elevação do salário mínimo), entre outras medidas. Não deixemos que as línguas de fogo dos representantes das elites – disfarçadas de conhecimento técnico – se apropriem deste projeto e o distorçam como bem entenderem. Neste momento, precisamos compreender e divulgar este programa para que todos percebam as melhorias que sua aplicação trará na vida do povo brasileiro. A luta pela narrativa oficial das palavras de Ciro deverá ser cada vez mais voraz daqui para frente. Vamos dialogar, falar sobre ele com as pessoas mais próximas, e esclarecer o que é fato e o que não é. Ciro12 presidente em 2018 depende de cada um de nós.

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