Fake news, Deep fake e a busca por DEEP NEWS


Um iceberg é uma formação de gelo que revela na superfície apenas uma pequena parte de seu todo, assim como as notícias rasas ou falsas que são distribuídas diariamente pelas redes.

Se você acompanhou minimamente as notícias e a política nacional nestes últimos tempos, certamente já conheceu as “fake news” ou, em bom português, notícias falsas. Para muitos analistas políticos, a vitória de Bolsonaro foi resultado da divulgação em massa das fake news em grupos do aplicativo whatsapp, que seis em cada 10 brasileiros tem em seu celular. Sabe aquele grupo de família cheio dos tios e tias toscos que todo mundo tem? Além dos clássicos “bom dia e boa noite grupo” cheios de imagens religiosas e/ou gatinhos, nestas eleições de 2018 virou moda também compartilhar mentiras deslavadas como as top 5 listadas pelo El País

Mas se você achou que nas próximas eleições só haveriam as fake news novamente, ACHOU ERRADO, digníssimo leitor. Temos uma novidade que deve ter um impacto ainda maior, e que para boa parte das pessoas não está popularizado: são os “Deep Fakes”, ou, em português, algo como “profundamente falsas”. Tratam-se de vídeos produzidos a partir de uma técnica computacional sofisticada chamada “Deep Learning”, ou “aprendizagem profunda”.

O resultado é impressionante: podemos combinar uma fala qualquer a um vídeo já existente. Para entender de verdade, é melhor ver o efeito na prática, como nestas imitações feitas pelo Marcelo Adnet durante as eleições:

Adnet, Bonner, Haddad, Bolsonaro

Note como no vídeo, o rosto de Adnet é misturado com traços de Bonner, Haddad e Bolsonaro. O que mais assusta é que o movimento da boca durante a fala, as expressões faciais e outros detalhes produzem uma cópia razoavelmente boa! Um espectador desavisado (como alguém abrindo o vídeo na pressa no WhatsApp) pode acreditar que o debate é real.

Essa técnica, que inicialmente se espalhou e se aperfeiçoou em fóruns na internet para gerar vídeos pornográficos com rostos de celebridades, agora está sendo usada no Brasil para fins “meméticos”, como é nossa especialidade. Bruno Sarttori, um dos pioneiros a utilizar a técnica no Brasil, fez um vídeo para explicar em detalhes como são produzidos seus deep fakes.

Se agora você está assustado com o potencial dessa técnica audiovisual, especialmente quando associada às fake news, parabéns! Você tem o mínimo de bom senso! Certamente nas próximas eleições estaremos sendo alvejados por vídeos falsos de políticos falando e fazendo impropérios, bem como por vídeos reais de candidatos em situações constrangedoras  que serão definidos por seus protagonistas como edições. Ou seja, a realidade sofrerá distorções nunca antes experimentadas pelas sociedade.

Mas não se desespere (muito)! Existe um jeito efetivo de que nós, enquanto indivíduos responsáveis e conscientes (como todo bom apoiador de Ciro Gomes é :D) remediemos esse cenário de incerteza e inverdades.   É necessário que busquemos popularizar as “Deep News”. Este termo ainda não é famoso (pois acaba de ser cunhado pelo autor que vos escreve) mas significa algo essencial para o jornalismo: a boa e velha checagem de fatos e aprofundamento das informações. Devemos sempre comparar notícias e versões dos fatos para que consigamos filtrar ao máximo se aquela informação, imagem, e agora, vídeo, é real ou FAKE e sempre que possível mostrar aos nossos colegas, amigos e familiares nossas apurações. Mais do que isso, deep news é a busca por entender as motivações por trás das notícias. Quem tem a ganhar e a perder com determinada informação veiculada? Por que tal pessoa disse ou fez aquilo? Por que o órgão publicando publicou e como aborda o narrado?

Deep News é mergulhar profundamente em um mundo de informações, permitindo que a curiosidade nos guie e nos afaste de toda informação não confirmada. Aqui nós vamos falar sobre as informações por trás das informações. Na próxima semana vamos falar mais profundamente dos deep fakes na política e possíveis caminhos que essa tecnologia pode tomar. Dicas de links, textos, informações, livros, filmes?

Mande para [email protected].

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